O governo americano reafirmou neste domingo (16) que não reconhecerá o resultado do referendo realizado na Crimeia e disse que a intervenção militar russa na península terá um "custo" para a Rússia.
"Como os EUA e os nossos aliados já deixaram claro, a intervenção militar e a violação da lei internacional vão trazer custos cada vez maiores para a Rússia e não só pelas medidas impostas pelos EUA e por nossos aliados, mas como resultado direto das ações de desestabilização da própria Rússia", disse neste domingo (16) o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, em um comunicado.
Segundo ele, neste século, não existe mais a possibilidade de que a comunidade internacional permaneça calada enquanto um país "se apodera à força do território de outro".
Em entrevista à rede NBC, o conselheiro-sênior da Casa Branca Dan Pfeiffer disse que Moscou pode esperar por sanções econômicas dos EUA nos próximos dias.
"Estamos colocando o máximo de pressão que podemos sobre os russos para fazer a coisa certa", disse Pfeiffer. "Demos a eles a oportunidade de diminuir as tensões e colocar as coisas em seu devido lugar, porque eles sabem que há custos para sua ação. Os custos são econômicos", disse.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de uma ação militar, Pfeiffer disse que a Casa Branca está se concentrando em aprovar, no Congresso, um projeto de lei de ajuda econômica para a Ucrânia.
No entanto, ele sugeriu que o uso da força ainda não foi descartado. "Nós estamos olhando para todas as formas de ajuda", disse.
Neste domingo, a população da Crimeia participou de um referendo para definir se a península segue ligada à Ucrânia ou se anexa à Rússia.
Os EUA já haviam declarado que não reconheceriam o resultado da consulta, feita à revelia de Kiev, e tentaram passar uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que negava a validade do referendo e exortava a comunidade internacional a não aceitá-lo. O texto foi vetado pela Rússia ontem.
Entenda o caso
O território da Crimeia está no centro da atual disputa entre a Ucrânia e a Rússia que ameaça a segurança mundial. Os problemas começaram em novembro, quando multidões começaram a ir às ruas da capital ucraniana, Kiev, para pressionar o então presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, a fechar um acordo comercial com a União Europeia em detrimento de um com a Rússia, sem sucesso.
O movimento se fortaleceu diante da derrota e ocupou a Prefeitura de Kiev e a Praça da Independência. O governo reagiu com violência e prisões arbitrárias, o que pareceu dar gás aos manifestantes. Depois de meses de embate, em fevereiro, Yanukovich deixou o país, e um governo interino pró-UE assumiu o poder.
O Ocidente reconheceu a troca, mas o governo russo viu nela um golpe de Estado. Com base nisso, alegou que havia ameaça aos cidadãos de etnia russa que vivem na Crimeia e foi, aos poucos, tomando o controle da área.
Das cerca de 2 milhões de pessoas que moram naquela península, mais da metade se considera de origem russa e, inclusive, fala russo no dia a dia.