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Ceagesp: rapaz baleado durante tumulto em São Paulo recebe alta

Folhapress com Agência Brasil
| Tempo de leitura: 3 min

O jovem de 23 anos que foi baleado durante o protesto ocorrido na sexta-feira (14) na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), na zona oeste da capital, recebeu alta neste domingo (16).


Santos, segundo amigos, trabalha no conserto de caixas de madeira na Ceagesp. Ele foi atingido por um tiro no abdômen e precisou passar por uma cirurgia no Hospital Universitário da USP.


A Ceagesp chegou a afirmar que seguranças do local atiraram para cima na tentativa de dispersar os manifestantes. Não foi confirmado, porém, como o rapaz ferido foi atingido ou quem teria feito o disparo. Outros quatro seguranças do local também foram feridos por pauladas e pedradas.


O protesto da semana passada ocorreu contra a cobrança do estacionamento da Ceagesp, iniciada na quinta-feira (13). Após o tumulto, o presidente da companhia, Mário Maurici de Lima, afirmou que a medida será suspensa, avaliada e não tem data definida para ser retomada.


A tarifa para os caminhões de dois eixos começava em R$ 4, para a permanência até quatro horas, e subia progressivamente até R$ 50 para um período acima de dez horas. Para caminhões de 3 a 6 eixos, o teto era R$ 60 -automóveis tinham valores diferenciados.


A C3V, concessionária responsável pela organização do sistema viário do Ceagesp, lamentou o ocorrido e disse que a implantação da cobrança de tarifa começou a ser informada aos comerciantes, caminhoneiros e frequentadores da Ceagesp no primeiro semestre de 2013.


"De lá até hoje, houve inúmeras reuniões e visitas a associações e comerciantes, foram afixados cartazes e faixas, distribuídos panfletos e concedidas entrevistas à imprensa, informando sobre a operação iniciada ontem", informou a concessionária.


Já o Sindicato dos Empregados em Centrais de Abastecimento de Alimentos do Estado (Sindbast) afirmou em nota que repudia a violência, mas que "os dirigentes brincaram com fogo ao impor a cobrança do estacionamento, totalmente inoportuna neste momento."


O sindicato afirmou ainda que "oportunistas infiltrados se aproveitaram para promover o famoso quebra-quebra".

Ceagesp avalia necessidade de demolição dos prédios incendiados

Técnicos da Ceagesp farão vistorias ao longo desta semana para avaliar se há necessidade de demolir os dois prédios incendiados durante protesto de caminhoneiros na última sexta-feira (14). Em reunião na tarde desta segunda-feira (17), a direção da Ceagesp prepara um balanço dos prejuízos, que será apresentado ainda hoje. O protesto foi motivado pelo início da cobrança de estacionamento no local.

A análise está sendo feita por engenheiros do Departamento de Manutenção e do Serviço de Segurança do Trabalho da Ceagesp. Foram atingidos durante o protesto o Departamento de Entrepostos da Capital (Depec) e o Setor de Fiscalização. Os 35 funcionários que trabalham no Depec foram dispensados do trabalho hoje, pois ainda não se definiu onde eles serão realocados. Os 37 fiscais, por sua vez, compareceram aos postos de trabalho, pois atuam no interior do mercado.

A companhia voltou a funcionar normalmente nesta segunda-feira, mas com movimento abaixo do normal, segundo a assessoria de imprensa. O local ficou fechado na noite de sexta-feira (14) e na manhã do sábado (15) para limpeza. A cobrança do estacionamento foi suspensa por tempo indeterminado.

As cabines das portarias ainda apresentavam marcas de destruição na manhã desta segunda-feira (17). No asfalto, era possível ver as marcas deixadas nos locais onde um caminhão-guincho e um carro da fiscalização foram queimados.

Segundo a Ceagesp, cerca de 50 mil pessoas circulam diariamente no entreposto. Além disso, em média, 10 mil veículos têm acesso, diariamente, ao local.

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