Cerca de 50 servidores penitenciários do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru deflagraram greve nesta segunda-feira (17).
Por conta da ação, que ocorre em presídios de todo o Estado, parte das atividades usuais, como a chegada e transferência de presos da região, audiências, atendimentos de advogados e conferências por parte dos detentos ficou paralisada. O movimento deve continuar hoje.
Éder Azevedo |
|
|
Agentes deixaram de transportar presos para audiências nos fóruns de Bauru, Agudos e Pederneiras
|
De braços cruzados ao lado de fora dos portões principais da unidade, os agentes penitenciários impediram várias entradas e saídas de comboios de presos.
Apesar da tensão frente às expectativas a cada comboio que chegava e era barrado na entrada do presídio, o clima entre os grevistas era de tranquilidade no período em que o JC acompanhou os trabalhos no local. “Enquanto o Estado não atender nossas reivindicações ou acenar negociação, não entram e nem saem presos daqui. Exceto para casos que haja alvará de soltura, de transferência para Regime Disciplinar Diferenciado (de alta periculosidade) e que envolvam socorro médico”, pontua o diretor do Sindicato dos Servidores Públicos do Sistema Penitenciário Paulista (Sindcop), Fernando Gonçalves.
Segundo o JC apurou, a paralisação afetou atividades internas da unidade, das quais participariam ao menos 50 presos. Entre elas estavam audiências nos fóruns de Bauru, Agudos, Pederneiras, exames toxicológicos de 32 detidos e audiências por videoconferências.
Unidades do regime semiaberto, como os Centros de Progressão Penitenciária I, II e III de Bauru, não teriam aderido ao movimento, segundo o Sindcop.
Entre as reivindicações, os grevistas pedem aumento salarial de 25%, diminuição de duas classes para obtenção de promoção salarial, além de melhores condições de trabalho e mais contratações. “Estamos mantendo apenas 30% do efetivo para a manutenção de serviços essenciais lá dentro como o banho de sol, a enfermaria e a alimentação”.
A assessoria de comunicação do Sindcop informou o JC sobre a possibilidade de suspensão das visitas da unidade no próximo domingo, caso não haja posicionamento do governo.
Adesão
Conforme o JC antecipou na edição de sexta-feira, algumas unidades prisionais de Assis e Paraguaçu Paulista já haviam entrado em greve na última semana.
No site do Sindcop, na tarde desta segunda , havia informação de que a paralisação já havia atingido 112 unidades prisionais em todo o Estado, cerca de 80% do total.
Na região de Bauru, das 33 unidades, 30 já estariam paralisadas, segundo o sindicato (leia mais na página 18).
Na última quinta-feira, segundo o sindicato, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) entrou com pedido de liminar na Justiça para barrar a greve.
A liminar foi concedida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo na última quinta-feira e atende a um pedido da Procuradoria Geral do Estado.
A decisão dificulta a intenção dos agentes penitenciários de impedir os serviços de transferência de detentos para audiências e julgamento, atendimento de advogados e paralisação de oficiais de Justiça.
A decisão também proibiria qualquer ato que dificulte o pleno exercício dos direitos da população carcerária, em especial o direito de visita, sob pena de multa de R$ 100 mil para cada dia de descumprimento.
