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Condenado no mensalão é preso

Fausto Macedo
| Tempo de leitura: 2 min

O ex-sócio da operadora Bônus-Banval Enivaldo Quadrado, condenado ao cumprimento de penas alternativas no processo do mensalão, está entre os presos na operação Lava-Jato, deflagrada ontem, pela Polícia Federal para desarticular uma rede de lavagem de dinheiro em seis Estados e no Distrito Federal.

 

Ele é um dos 24 presos até agora na operação policial, que apura o uso de lavanderias e postos de gasolina num esquema que movimentou, de forma suspeita, cerca de R$ 10 bilhões e envolve doleiros.

 

O advogado Antônio Sérgio Pitombo, que defendeu Quadrado no mensalão, confirmou que seu cliente foi preso em Assis (a 179 quilômetros de Bauru), onde estava residindo. Pitombo, contudo, não sabia se ia representar Quadrado nesse caso.

 

Também afirmou não saber quais são as acusações que motivaram o mandado de prisão temporária. 

 

Ao todo, a PF cumpriu 24 mandados de prisão durante a Operação. Entre os presos está o doleiro Carlos Habib Chater. Veículos de luxo também foram apreendidos, além de dinheiro em espécie.

 

A Polícia Federal afirma que os envolvidos são responsáveis pela movimentação financeira e lavagem de ativos de diversas pessoas físicas e jurídicas ligadas a crimes como o tráfico internacional de drogas, corrupção de agentes públicos e sonegação fiscal. A PF teve acesso aos registros de comunicações de operações financeiras atípicas daqueles grupos, fornecidas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão ligado ao Ministério da Fazenda.

 

A operação foi batizada de Lava-Jato porque um dos grupos investigados usava uma rede de lavanderias e postos de combustíveis para movimentar o dinheiro resultado das operações fraudulentas. Durante a ação, a PF cumpriu ordens de sequestro de imóveis de alto padrão, além da apreensão de patrimônio adquirido por meio de práticas criminosas, e bloqueio de contas e aplicações bancárias.  Pelo menos um hotel, em Londrina (PR), foi bloqueado com autorização da Justiça. 

 

Foi apreendido um Camaro amarelo com um dos outros dois presos, além de uma arma com registro vencido e cocaína.  Foram apreendidos também documentos num posto de gasolina, numa casa de câmbio e numa lavanderia que funcionam no mesmo local em Brasília e, segundo a PF, seriam ligadas a Carlos Chater.

 

Dinheiro na cueca

 

Enivaldo Quadrado foi preso na madrugada do 7 de dezembro de 2008 ao chegar ao aeroporto de Cumbica, vindo de Portugal, com cerca de 360 mil euros escondidos no corpo, inclusive na cueca. Por não ter declarado o dinheiro em formulário obrigatório fornecido aos passageiros, ele foi enquadrado na época no artigo 299 do Código Penal Brasileiro, por falsidade ideológica, que prevê pena de até cinco anos de prisão mais multa.

 

O doleiro também prestou depoimento no caso mensalão por receber recursos de Marco Valério. 

 

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