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Carandiru: testemunha de defesa fala em excesso da PM

Folhapress
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O desembargador Fernando Torres Garcia, testemunha de defesa do julgamento do massacre do Carandiru, disse nesta segunda-feira (17) que houve exagero da Polícia Militar durante a invasão ao pavimento 9, em outubro de 1992. “Houve inegável excesso (da PM). Isso me parece nítido”, disse.

 

Nesse quarto bloco do Júri, estão sendo julgados dez policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) pela morte de dez detentos e a tentativa de homicídios de outros três.

 

Na época da invasão, Torres era juiz-auxiliar da corregedoria de presídios e presenciou, de fora da Casa de Detenção, a entrada da polícia no Carandiru. “Havia uma rebelião e a entrada da polícia se fez necessária”, afirmou.

 

Apesar de ter sido chamado pela defesa, o depoimento do desembargador pode auxiliar a Promotoria, uma vez que ele admitiu que houve uma ação desproporcional a necessária.

 

Após o depoimento de Torres, foi ouvido o investigador Maldiney Antonio de Jesus, que na época era agente penitenciário do pavilhão 9, onde ocorreu o massacre. Ele afirmou que, no dia do massacre, não entrou nos pavimentos. Mas disse que nos dois anos que atuou no local, nunca apreendeu arma de fogo com os detentos.

 

Metralhadora

 

Durante o depoimento, perito criminal Osvaldo Negrini Neto afirmou que havia vestígios de disparos em rajadas nas paredes do quarto andar.

 

As marcas, segundo Negrini, apontariam que foi usada metralhadora contra os detentos. Ao todo, seis dos dez detentos mortos tinham ferimentos à bala, de acordo com a acusação.

 

Devido ao grande número de réus e de vítimas, o julgamento do massacre está sendo feito em etapas, conforme os andares do antigo prédio. Em 2013, foram condenados 48 PMs por mortes no primeiro e no segundo andares. Eles recorrem em liberdade.

 

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