Nacional

Julgamento do massacre de Carandiru retoma com debates

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O julgamento do massacre do Carandiru será retomado às 10h30 desta terça-feira (18), no Fórum da Barra Funda, zona oeste de São Paulo, com os debates entre a Promotoria e a defesa dos réus.

Nesse quarto bloco do júri, estão sendo julgados dez policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), da Polícia Militar. Eles são acusados pela morte de dez presos e pela tentativa de homicídios de outros três no quarto andar do pavilhão 9.

Encerrada por volta de 20h30, a sessão de segunda-feira (17) teve depoimentos de testemunhas e interrogatório dos réus.

Último a depor, o ex-comandante do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), Wanderley Mascarenhas de Souza, afirmou que atuou de forma profissional quando recebeu ordens para entrar na Casa de Detenção, em outubro de 1992. "Tenho a convicção que agi com profissionalismo", afirmou.

Conforme orientado pela defesa, ele e outros réus ouvidos se recusaram a responder as questões feitas pelo Ministério Público e pela defesa. Afirmaram que responderiam apenas as perguntas dos jurados e do juiz Rodrigo Tellini.

Devido ao grande número de réus e de vítimas, o julgamento do massacre está sendo feito em etapas, conforme os andares do antigo prédio. Em 2013, foram condenados 48 PMs por mortes no primeiro e no segundo andares. Eles recorrem em liberdade.

Interrogatório

Tanto Mascarenhas quanto os outros policiais ouvidos no plenário afirmam que não atuaram no quarto andar, conforme a acusação do Ministério Público. Eles dizem que atuaram no terceiro andar, onde a Promotoria afirma que policiais do Comando de Operações Especiais (COE) agiram.

O então comandante da tropa do Gate afirmou no plenário que foi chamado pelo coronel Ubiratan Guimarães para levar sua tropa até a Casa de Detenção, pois havia a suspeita de que as barricadas construídas pelos detentos poderiam conter artefatos explosivos.

Segundo o oficial, a ação de sua tropa limitou-se a fazer a liberação dos bloqueios para que tropas de choques pudessem atuar nos andares superiores.

Ainda que os réus tenham se recusado a responder as perguntas da acusação, os promotores Márcio Friggi e Eduardo Olavo Canto Neto fizeram suas perguntas no plenário.

Quando a acusação questionou Mascarenhas sobre um depoimento dado a CPI, em 1992, em que ele afirmou ter atuado no último andar do pavilhão 9 (quarto andar), o advogado de defesa, Celso Vendramini, se dirigiu ao réu e começou a conversar com ele.

Friggi então interveio. "Isso aqui não é o programa do Ratinho". O advogado então voltou ao seu lugar e se sentou.

Vendramini ainda pediu que as perguntas fossem feitas ao escrivão, uma vez que os réus já haviam dito que não se manifestariam às questões do Ministério Público.

Depoimentos

Antes dos interrogatórios dos réus, foi ouvido no júri o desembargador Fernando Torres Garcia, que era juiz-auxiliar da corregedoria de presídios e presenciou, de fora da Casa de Detenção, a entrada da polícia no Carandiru. "Houve inegável excesso [da PM]. Isso me parece nítido", disse.

Também foi ouvido na segunda-feira (17) o perito criminal Osvaldo Negrini Neto, que disse que havia vestígios de disparos em rajadas nas paredes do quarto andar apontando que foi usada metralhadora contra os detentos. Ao todos, seis dos dez detentos mortos tinham ferimentos à bala, de acordo com a acusação.

Outra pessoa ouvida mais cedo é o investigador Maldiney Antonio de Jesus, que na época era agente penitenciário do pavilhão 9. Ele afirmou que, no dia do massacre, não entrou nos pavimentos. Mas disse que nos dois anos que atuou no local, nunca apreendeu arma de fogo com os detentos.

Comentários

Comentários