Sergei Ilnitsky/Reuters |
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O primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksyonov, o presidente do parlamento da Crimeia, Vladimir Konstantinov, Vladimir Putin e o prefeito de Sebastopol, Alexei Chaliy, durante de assinatura do acordo
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O presidente russo, Vladimir Putin, desafiando protestos ucranianos e sanções ocidentais assinou ontem um tratado anexando a Crimeia à Rússia, mas afirmou não ter planos para controlar outras regiões da Ucrânia.
Em um discurso fortemente patriótico em uma sessão conjunta do Parlamento russo no Kremlin, pontuado por aplausos e manifestações emocionadas, Putin criticou países ocidentais pelo que chamou de hipocrisia. Nações ocidentais haviam endossado a independência de Kosovo da Sérvia, mas agora negavam o mesmo direito ao cidadãos da Crimeia, disse.
“Os Estados Unidos e a Europa dizem que Kosovo foi um caso especial. Por que tão especial? Tudo acontece a favor dos próprios interesses deles.” “Você não pode chamar a mesma coisa hoje de preto e amanhã de branco”, disse sob aplausos, afirmando que os parceiros ocidentais haviam “cruzado a linha” em relação à Ucrânia e se comportado “de forma irresponsável”.
Putin disse que os novos líderes da Ucrânia, no poder desde a derrubada do presidente pró-Moscou Viktor Yanukovich, no mês passado, incluem neonazistas, antissemitas e xenófobos.
O presidente russo disse que a votação do referendo da Crimeia, no domingo, realizada sob ocupação militar russa, havia demonstrado a vontade esmagadora das pessoas de se unirem à Rússia, após 60 anos como parte da República ucraniana.
Com o som do hino nacional da Rússia, Putin e líderes da Crimeia assinaram o tratado para tornar a região parte da Rússia. Durante seu discurso, Putin foi interrompido por aplausos pelo menos 30 vezes. “Nos corações e mentes das pessoas, a Crimeia sempre foi e continua sendo uma parte inseparável da Rússia”, disse Putin.
Ele agradeceu à China pelo que chamou de apoio, embora Pequim tenha escolhido se abster na votação de uma resolução da ONU sobre a Crimeia em que Moscou teve de vetar sozinho.
Putin procurou tranquilizar os ucranianos de que a Rússia não procura novas divisões de seu país. Teme-se em Kiev que a Rússia possa tentar dominar regiões orientais da Ucrânia de língua russa. O controle de Moscou sobre a Crimeia, denunciado pelo Ocidente como ilegal e em violação da constituição da Ucrânia, causou a mais grave crise Leste-Oeste, desde o fim da Guerra Fria.
SANÇÕES LEVES
Na segunda-feira, os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções a uma lista de funcionários da Rússia e da Ucrânia, acusados de envolvimento no controle militar de Moscou na Crimeia.
Políticos russos rejeitaram as sanções como insignificantes. O Japão juntou-se às moderadas sanções ocidentais ontem, anunciando a suspensão das negociações com a Rússia sobre investimentos e vistos.
Primeiro ucraniano morto
O Ministério da Defesa da Ucrânia diz que homens com roupas militares russas, mascarados e armados, invadiram a base, em Simferopol, capital da Crimeia. Outros dois soldados teriam ficado feridos.
A Crimeia, porém, afirma que a base não foi invadida, mas alvejada por atiradores que estavam em um prédio em frente ao local. Os homens teriam baleado um militar ucraniano e um miliciano pró-Rússia. A polícia informou ter prendido um dos supostos atiradores.
Para o primeiro-ministro da Ucrânia, o ataque foi um “crime de guerra” cometido pela Rússia. O presidente ucraniano, Oleksander Turchinov, autorizou os soldados a usarem suas armas em legítima defesa. O ataque aconteceu horas depois que Putin ratificou a anexação da Crimeia. O governo russo não se manifestou sobre o caso.
Armas
A Ucrânia emitiu ordens nesta terça-feira permitindo que seus soldados na Crimeia usem armas para proteger suas vidas, depois que um soldado ucraniano foi morto num ataque a uma base militar, informou o serviço de imprensa do presidente interino, Oleksander Turchinov. Até agora, as forças mobilizadas tinham sido alertadas para evitar o uso de armas contra ataques.
Ucrânia ameniza
Antes do discurso de Putin, o primeiro-ministro interino da Ucrânia, Arseniy Yatseniuk, procurou tranquilizar Moscou em duas principais áreas de preocupação, dizendo em um discurso televisionado na Rússia que Kiev não estava buscando aderir à Otan, à aliança militar liderada pelos Estados Unidos, e que iria desarmar as milícias nacionalistas ucranianas.