Nacional

Rondônia: cheia do rio Madeira faz mulher dar à luz em abrigo improvisado

Por Lucas Reis | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Atendente em uma loja de Porto Velho, Andreia Oliveira Rodrigues, 26, estava grávida de oito meses quando a água do rio Madeira começou a invadir sua casa, no bairro do Mocambo, região central da capital de Rondônia.

Foi tudo muito rápido e logo ela teve que deixar sua casa para salvar a família. Juntou o que pode, carregou suas três filhas e, ao lado da mãe e do padrasto, conseguiu abrigo em uma igreja próxima, assim como outras 66 famílias que também tiveram as casas inundadas.

Poucos dias depois, Andreia começou a sentir as contrações em uma manhã de sexta-feira. Mal deu tempo de gritar pela mãe: Nicolas Miguel, 3,220 kg, nasceu em 7 de março lá mesmo, no abrigo improvisado de uma sala da Igreja Nossa Senhora de Fátima.

Com a cheia histórica do rio Madeira, que já desabrigou ou desalojou mais de 3.500 famílias e isolou regiões inteiras de Rondônia, os hospitais ficaram "longe" demais para Andreia. Mesmo que tivesse um helicóptero à disposição.

"Quando a Marinha chegou, já haviam até cortado o cordão umbilical. Foi rápido demais, não deu tempo de correr para o hospital", contou Andreia na segunda-feira (17), enquanto amamentava o bebê e vigiava as outras filhas, de dez, oito e dois anos de idade.

Foi uma tia dela, alojada em uma sala ao lado, que fez o parto. "Foi tranquilo, quando ela chegou, o bebê já estava nascendo. Ele foi muito apressado", conta.

Após a chegada da Marinha, Andreia e Nicolas foram levados até a maternidade mais próxima. Recebeu alguns cuidados, mas mãe e filho logo foram liberados e voltaram ao abrigo.

O futuro, porém, continua incerto. Com sua casa de madeira submersa, Andreia e sua família ainda não sabem para onde vão quando as águas do Madeira baixarem. O bebê de 11 dias não tem um teto.

"Pelo menos vou ter uma boa lembrança dessa tragédia toda. Mas o Nicolas foi o último [filho]. Não vai ter próximo, não."

Comentários

Comentários