Em cerimônia no plenário do Senado para comemorar o Dia Internacional da Síndrome de Down, nesta quinta-feira (20), o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) cometeu uma gafe ao classificar a síndrome de "doença". Presidente do Senado, Renan listou a síndrome entre as "doenças genéticas" que poderão ter isenção em dobro no Imposto de Renda segundo projeto de lei que tramita na Casa.
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José Cruz/Agência Brasil |
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Renan responsabilizou sua assessoria pela gafe no plenário |
"Atualmente, nós estamos analisando a proposta que prevê a dedução em dobro da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física de encargo por dependente acometido de uma série de doenças genéticas, entre essas a síndrome de down", disse Renan.
Alertado por um dos portadores da síndrome presente à cerimônia, Renan responsabilizou sua assessoria pela gafe. "Queria pedir desculpas a todos, em nome da nossa assessoria, que acabou rapidamente sugerindo essas linhas que pronunciamos, por ter, equivocadamente, chamado down de doença. Não é doença. Down é um evento genético universal, que se faz presente em toda a sociedade", afirmou.
O deputado Romário (PSB-RJ), que é pai de Ivy, de nove anos, portadora da síndrome, chorou ao falar da sua relação com a filha. "Agora, como pai, sempre me emociono. Vou dar uma respirada aqui um pouco. Sou um cara melhor, sou um cara mais humano, sou um cara que aprendeu a respeitar algumas coisas que, não que desrespeitasse, mas passasse despercebido na minha vida, hoje não", afirmou.
Romário disse que Ivy é um "anjo" em sua vida, e defendeu maior atuação do parlamento em defesa dos portadores da síndrome. "Quando se trata do assunto da síndrome de down, vou estar sempre com as minhas portas abertas, não só do meu gabinete como da minha casa, mas principalmente do meu coração, para fazer, para lutar por vocês."
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), pai de Beatriz, de três anos, com síndrome de down, disse que o seu engajamento em defesa dos portadores da síndrome surgiu depois de vivenciar essa experiência em sua família.
"Tivemos que correr atrás de todas as informações, não existia nada sistematizado. E ali começamos a ver que esse era um problema que existia em todas as famílias dos mais diversos Estados deste país", afirmou.
Lindbergh defendeu que os portadores da síndrome tenham acesso a escolas regulares. "A batalha da vez, eu diria, é a educação. Não há como não se falar pessoas com síndrome de down na educação inclusiva. É preciso estar nas escolas da rede regular."
Na cerimônia, portadores da síndrome fizeram vários discursos em defesa de maior inclusão - entre eles, atores que participaram do filme "Colegas", do diretor Marcelo Galvão. O filme foi o primeiro protagonizado por atores com a síndrome de down.
"Nós queremos mostrar à sociedade que nós somos capazes. O filme mostra que a gente tem capacidade de fazer tudo na vida. Tudo na vida a gente conquista depois. Para isso, quero dizer que autoconfiança, coragem, determinação, inclusão já", disse Breno Viola, um dos atores do filme.
