Política

Telecentros ainda não saíram da caixa

Tisa Moraes e Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Três anos após começarem a ser implantados em Bauru, os chamados telecentros, em sua maioria, ainda não saíram do papel. Das 51 unidades previstas para a cidade, apenas 15 foram efetivamente implantadas para garantir acesso gratuito à Internet para a população de baixa renda.

Atual titular da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra), Chico Maia coordenou o projeto na esfera local e garante que a responsabilidade pelo não funcionamento do Programa Telecentros.BR não é da prefeitura. Segundo ele, a viabilização da iniciativa, idealizada pelo governo federal, depende de dois fatores: a contratação de dois monitores para cada uma das unidades e a entrega das antenas com acesso à Internet via satélite.

E, pela proposta inicial, os equipamentos e salários de funcionários deveriam ser custeados pela União. “Só que o governo não deu conta. Por este motivo, há cerca de seis meses ele passou a permitir que a contratação do serviço de banda larga e dos instrutores fosse feita com recursos das próprias entidades beneficiadas com a doação dos computadores”, informa.

Maia conta que dos 15 telecentros que dispõem de Internet apenas um – localizado no Centro Cultural - funciona com antena fornecida pelo Programa Governo Eletrônico Serviço de Atendimento ao Cidadão (Gesac). Nos demais, o custeio ficou sob responsabilidade das instituições.

“Se elas tivessem ficado esperando, até hoje os telecentros não estariam funcionando”, comenta. Segundo ele, nenhum monitor foi contratado, até agora, pelo governo federal.


Digitação

Por este motivo, nas instituições que não dispõem de recursos financeiros, os computadores vêm sendo utilizados, basicamente, para digitação de documentos. “Nestes locais, não há como dizer que existam telecentros, porque não atingem a finalidade do programa, que é garantir acesso gratuito à Internet nos bairros. As máquinas foram instaladas somente para não ficarem paradas”, lamenta.

Em relação à contratação dos monitores, Maia afirma que houve um avanço. O Ministério das Comunicações passaria a contratar profissionais para atuar em Bauru a partir de abril, mas a informação não foi confirmada pelo órgão.

A assessoria de imprensa limitou-se a dizer que, assim como ocorreu em 2013, novas turmas para formação de monitores serão abertas. Chico Maia explica que os 102 instrutores já foram escolhidos pela prefeitura por meio de processo seletivo realizado em 2012 e irão receber bolsa-auxílio no valor de R$ 241,50, por jornada de 20 horas semanais de trabalho.

O recurso será repassado pelo Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Nosso objetivo é que, até o final de abril, os 30 primeiros sejam contratados para trabalhar nestes 15 telecentros que já dispõem de Internet. Como a União ainda não se posicionou sobre o fornecimento das antenas, os profissionais serão chamados inicialmente para atuar nas entidades que estão custeando a Internet sozinhas”, explica.

Inoperância

A inoperância dos telecentros foi levantada na Tribuna do Leitor, na edição da última quinta-feira do Jornal da Cidade. O leitor Sebastião Laerte Fabro de Camargo relatou que os computadores estão encaixotados no centro comunitário do Jardim Europa desde o primeiro semestre de 2012. O leitor conta, inclusive, que se ofereceu para dar aulas gratuitamente no local e firmar parcerias com empresários para custear as despesas com Internet, TV e telefone. No entanto, foi informado de que os instrutores deveriam ser escolhidos pela prefeitura.

Recentemente, a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra) teria alertado o centro comunitário de que, em desuso, os computadores poderiam ser levados embora por falta de segurança. “Por mim, podem levar embora. Até indico um lugar para onde devem ser levados: ecoponto. É isso mesmo: para informática, quatros anos significam um século e estes computadores não servem mais”, reclama.

Contratações

Chico Maia garante que, a partir de abril, o governo federal começará a contratar monitores para atuar nos telecentros. Em Bauru, são 102 profissionais de 16 a 29 anos já selecionados, que aguardam serem chamados após liberação dos recursos.

Antes, no entanto, precisam passar por cursos de formação. Segundo o Ministério das Comunicações, no ano passado foram abertas quatro turmas para esta finalidade.

A prefeitura de Bauru inscreveu apenas sete profissionais, sem que ninguém fosse efetivamente contratado. Ainda de acordo com o ministério, em 2014 novas turmas serão abertas.

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