Política

Estudo sugere ?bilhete único? em circular

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Linhas com percursos menores, ônibus passando em menor intervalo de tempo, com maior oferta nos horários de pico. As propostas resumem o projeto de remodelagem do transporte urbano, apresentado ontem pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Para as ideias saírem do papel, porém, o estudo diz ser necessária a implantação do bilhete único, ou seja, o fim da cobrança pelas integrações. O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) garante que a medida será tomada, mas o impacto no custo do sistema ainda é um entrave. 

 

A administração municipal não dispõe de folga orçamentária para subsidiá-lo, o que implica na possibilidade de reflexo das mudanças na tarifa cobrada dos usuários, que hoje é de R$ 2,63 quando paga com cartão.

 

O estudo desenvolvido pela empresa Oficina Engenheiros Consultores Associados aponta que a extinção da tarifa de integração – atualmente no valor de R$ 0,70 para a segunda viagem no intervalo máximo de uma hora e meia – ocasionaria impacto anual de R$ 2.622.595,29.

 

Além disso, as mudanças no sistema de transporte coletivo – como, por exemplo, o aumento de quilômetros rodados pelos circulares – também aumentariam o custo do serviço em R$ 1.306.365,07 por ano.

 

“É um impacto grande, mas se a lógica do transporte muda e prioriza as integrações, temos de acatar. Só não temos como cobrar por elas”, observa Rodrigo.

 

Para evitar bruscos aumentos na tarifa por conta do impacto total de quase R$ 4 milhões no sistema, o prefeito alega que o subsídio poderá partir do valor da outorga de concessão, que será pago ao município pelas empresas vencedoras do processo licitatório.

 

Contudo, o poder público também precisará investir ao menos parte desse dinheiro em infraestrutura e tecnologia indispensáveis para a implantação do modelo de transporte público proposto pelo estudo.

 

Além disso, essa verba é paga apenas no ato da assinatura do contrato e não há como garantir a cobertura desses impactos anualmente.

 

Licitação

 

As mudanças propostas pelo estudo não serão aplicadas aos contratos vigentes do poder público municipal junto às empresas concessionárias. Os dois maiores – da Grande Bauru e da Baurutrans – já venceram e foram prorrogados. Esses lotes, porém, serão licitados em breve.

 

“Resolvemos esperar, justamente para que essas mudanças já estivessem previstas nos próximos contratos. As minutas dos editais estão prontas e, na próxima semana, vamos convocar as audiências públicas obrigatórias que antecedem a publicação deles”, conta o prefeito.

 

Rodrigo explica ainda que as alterações nas linhas serão feitas de forma gradual para que a população consiga se adaptar. “Possivelmente, a partir da vigência dos novos contratos do transporte público, o novo modelo deve levar seis meses para ser integralmente implantado”.

 

Presidente da Emdurb, Nico Mondelli ressalta que com o plano detalhado e as propostas para o novo sistema fica muito mais fácil para a administração buscar os caminhos para efetivar as mudanças e melhorar o serviço oferecido aos usuários.

 

Evasões

 

No contraponto dos 103.356 usuários que passam pelas catracas dos circulares, 26.169 pessoas utilizam o transporte público todos os dias sem pagar pela tarifa. Aproximadamente 57,7% delas, de fato, são contemplados pelo benefício de isenção, como ocorre com os aposentados. 

 

No entanto, segundo o engenheiro Arlindo Fernandes, da Oficina Engenheiros Consultores Associados, a outra parte é formada por pessoas que entram e saem dos ônibus de graça de forma indevida.

 

“Isso existe em todos os lugares, mas esse número poderia ser reduzido, pois corresponde a mais de 11% dos usuários. O impacto dessa situação é de R$ 673.398,40”, pontua.

 

Para o prefeito Rodrigo Agostinho, cabe às empresas concessionárias tomar as medidas necessárias para reverter essa situação. “A instalação de câmeras nos ônibus é um caminho”.

 

Lógica do sistema é invertida com linhas menores

 

Das 69 linhas do atual sistema de transporte coletivo, 44 são do tipo diametral, ou seja, ligam extremidades da cidade, com percursos médios de 28 quilômetros, considerando a ida e a volta.

 

O engenheiro Arlindo Fernandes pontuou que, neste modelo, a intervenção para corrigir eventuais problemas demanda maior tempo.

 

“Além disso, o território da cidade cresce e essas linhas ficam cada vez mais extensas. Há também a dificuldade em manter o equilíbrio nas viagens. Em muitos casos, os ônibus vão cheios, mas voltam vazios, o que gera desperdício de tempo e influencia no custo”, pontua.

 

O novo modelo propõe a existência de apenas seis linhas desse tipo, chamadas de estruturantes: Edson Silva – Octávio Rasi; Pousada da Esperança – Samambaia; Ouro Vede – Campos/CTI; Santa Edwirges – Samambaia; Santa Fé – Campus/CTI; Isaura Pitta Garms – Samambaia.

 

Para essas linhas, o estudo aponta a necessidade de ônibus com maior capacidade de passageiros e o tempo de espera dos passageiros não ultrapassará 15 minutos.

 

Radiais

 

De acordo com a proposta, nas regiões Centro-Sul da cidade, que recebem quase 53% dos usuários do transporte coletivo em dias úteis, haverá quatro Estações de Conexão: na Rodrigues Alves; na Praça do Líbano; no Terminal Rodoviário e no Estoril.

 

“Essas estações não devem ser pensadas como grandes estruturas. São apenas pontos organizados para receber o fluxo dos passageiros”, explica Arlindo Fernandes.

 

A integração nesses pontos será oferecida aos usuários das 49 linhas menos extensas, que ligarão o Centro aos bairros de Bauru e dependerão de integração. “Mesmo tomando outro ônibus, o tempo de viagem deverá ser reduzido”, aponta o engenheiro.

 

Para essas linhas, o tempo de espera máximo será de 40 minutos para o primeiro ônibus. “O projeto prevê, no entanto, que a chegada dos passageiros a essas Estações de conexão esteja casada com a saída dos ônibus de integração”.

 

Bairros

 

A proposta engloba ainda outras 14 linhas ligando os bairros a quatro Pontos de Conexão que serão instalados fora do Centro, mas em locais que atraem intenso fluxo de pessoas. A empresa contratada definiu que esses pontos estarão no Bauru Shopping, Fórum, Distrito Industrial e Hospital Estadual.

 

Para essas linhas, as viagens sairão no intervalo máximo de uma hora.

 

Racionalização

 

O formado do transporte coletivo apontado aumentará em 7% a produção quilométrica mensal do transporte coletivo. O número de ônibus em circulação, por sua vez, deverá ser ampliado de 238 para 254.

 

Além da mudança da lógica das linhas, o engenheiro Arlindo Fernandes garante que o novo modelo racionaliza o sistema, aumentando a oferta nos horários de pico e reduzindo as viagens nos horários em que a quantidade de passageiros reduz drasticamente, como por exemplo entre as 8h e 11h.

 

A intervenção é necessária. O estudo da Oficina apontou que, entre as 6h e 7h da manhã, em 12% das viagens, de sete a nove pessoas, em pé, ocupam o mesmo metro quadrado dos ônibus. 

 

Para os domingos, o estudo propõe tempo máximo de espera de 20 minutos, mas as conexões serão inevitáveis em função do número reduzido de linhas oferecidas.

 

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