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Greve dos agentes penitenciários

Ciro Monteiro
| Tempo de leitura: 2 min

Dráuzio Varella, em seu livro intitulado ?Carcereiros?, descreve o agente penitenciário como um herói por lidar com os principais criminosos do país e relata o quão depreciativo e estressante é nossa atividade profissional: "Viver em estado de alerta cria um clima de estresse generalizado que é inerente à atividade profissional. A necessidade de complementar o salário como segurança de lojas, supermercados, casas lotéricas, cassinos clandestinos e inferninhos aumenta sobremaneira a carga de trabalho, priva-os do sono regular, do lazer dos dias de folga, afasta-os do lar e do convívio com a família, e dá origem aos desacertos que explicam o grande número de casamentos desfeitos".

Além da necessidade de trabalhar nas horas de folga para complementar a renda, temos que lidar com o número crescente encarceramento e déficit de vagas nos presídios. Os últimos dados do Departamento Penitenciário Nacional (2012) apontam para um déficit de 93.383 vagas no Estado de São Paulo de uma população carcerária de 195.695 (a maior do Brasil). As consequências dessa superlotação são vivenciadas diariamente por nós que trabalhamos em estabelecimentos prisionais insalubres e lidamos diariamente com as reclamações dos presos e familiares, com o crime organizado, ameaças, agressões e com as doenças espalhadas pela maioria dos setores. Dessa forma, a greve iniciada por nós em 10 de março é uma tentativa de alertar a sociedade para o que está acontecendo em alguns dos principais órgãos responsáveis por assegurar segurança à sociedade, onde trabalham profissionais que exercem serviço essencial e estão perecendo pela desvalorização. Recentemente o governo de São Paulo fez divulgação ampla e eleitoreira exaltando na imprensa uma possível estratégia de fuga dos principais líderes do crime organizado, utilizando-se da política do medo para promover seu partido. Esse mesmo governo que não valoriza seus trabalhadores e faz planos de reeleição.

Reivindicamos melhores condições de trabalho e reajuste salarial, já que as consequências de tais medidas são essenciais não só para melhorar a convivência do agente penitenciário com sua família, mas para que seja reestruturado o sistema punitivo e a preso possa retornar à sociedade com melhores condições de reintegração e assim não cometer delitos que afligem a todos nós cotidianamente.

O autor, Ciro Monteiro, é professor de História, agente penitenciário, mestre em Ciência da Informação e membro do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Encarceramento da USP - Ribeirão Preto.

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