Malavolta Jr. |
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Rodrigo contratou mapeamento da poluição, mas garante que índice ainda não afeta qualidade da água
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Ambientalista por formação, no Dia Mundial da Água o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) decreta : não há solução mágica nem fórmula pronta para o problema do abastecimento do líquido em Bauru.
A captação do Aquífero Guarani é, sem dúvida, um dos grandes tabus. O poder público já retira mais água subterrânea do que deveria, por meio de 34 poços profundos.
Os níveis dessa água pré-histórica, formada entre 400 mil e 1 milhão de anos atrás, estão cada vez mais baixos.
Se a quantidade dessa água já era motivo de preocupação, agora a qualidade do líquido que abastece 60% da população bauruense também começa a preocupar. Pela primeira vez, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) detectou a variação de nitrato na água que vem dos poços urbanos.
Venda de filtro cresce 30%
Para a água ter qualidade ainda melhor é recomendável filtrá-la, afirma o administrador da afiliada bauruense da empresa Filtros Europa, a maior distribuidora de filtros de água da América Latina, Bruno Henrique Murcia. De acordo com ele, os benefícios da filtragem do líquido são inúmeros, mas o que mais se destaca é o fato de proporcionar uma qualidade de vida bem melhor aos consumidores, prevenindo doenças. Murcia acrescenta que os clientes bauruenses já chegam cientes disso e os funcionários nem precisam entrar em detalhes. Ele conta que a procura por filtros é sempre grande, principalmente por parte das empresas, mas em épocas mais quentes as vendas têm um aumento de 30%. “Essa necessidade de sustentabilidade faz com que os clientes busquem qualidade e cheguem até a loja já sabendo de metade da história”, afirma.
Confira a estrevista com o prefeito Rodrigo Agostinho:
Jornal da Cidade - Essa constatação é grave?
Rodrigo Agostinho - Nós estamos percebendo duas coisas - o nível do aquífero se rebaixando e a água subterrânea se contaminado. Temos dois aquíferos na cidade. O Bauru já está condenado e, no Guarani, há índice de contaminação, porém, muito baixo.
JC - Mas houve avanços desse índice?
Rodrigo - O Instituto Geológico visitou a gente recentemente e está pesquisando. O DAE tem laboratório próprio. Nós temos registro histórico da qualidade da água dos nossos poços e, em alguns deles, começou, recentemente, a ter uma variação de nitrato, que é um indício de contaminação. Mas os níveis são muito pequenos. Não é nada que afete a qualidade da água distribuída para a população.
JC - A água subterrânea é tratada?
Rodrigo - Ela recebe o que chamamos de tratamento mínimo, com cloro para evitar a contaminação que pode haver na tubulação e o flúor para preservar a dentição humana.
JC - O que tem provocado essa poluição?
Rodrigo - Temos duas fontes conhecidas - uma é o esgoto, que já tiramos dos córregos, mas que corre a céu aberto no rio Bauru. Pretendemos mudar isso até o final desse ano com os interceptores, que estão sendo contratados pelo DAE. A outra é o aterro sanitário, onde enterramos lixo desde 1992.
JC - Há providências?
Rodrigo - Neste caso, contratei o Instituto de Pesquisa Tecnológicas (IPT) para fazer o diagnóstico da contaminação. Isso está sendo mapeado. Também temos algumas contaminações industriais, mas são pontuais e ainda não afetam a água subterrânea. Acredito que o maior problema, no entanto, esteja na escassez dessa água.
JC - Essa escassez já ameaça o abastecimento?
Rodrigo - Em Ribeirão Preto, já estão proibidas as perfurações de novos poços. Com exceção do problema de São Paulo, com o sistema Cantareira, é lá a situação mais grave no Estado. Mas não é difícil que o mesmo ocorra em Bauru. Tiramos mais água do que está sendo recarregado pelas chuvas. A gente não sabe onde estão essas áreas de recarga. Há quem acredite que uma delas esteja em Bauru por conta do solo arenoso, mas isso não é certo.
JC - Qual será a consequência futura disso?
Rodrigo - A água de poço é relativamente cara. Até então, tirávamos de uma profundidade máxima de 480 metros. O Zona Norte bateu o recorde e vamos chegar a 600 metros. Rio Preto tira a 1.500 metros. Quanto maior for a profundidade, mais caro vai ficar. Além disso, temos poços competindo entre si. Na região baixa do Bela Vista, são três que, provavelmente, captam a água do mesmo lugar e passam a produzir menos.
JC - Serão perfurados mais poços esse ano?
Rodrigo - Consegui perfurar 7 até agora. Para 2014, estão previstos o Val de Palmas e o Jardim TV, que serão custeados pela iniciativa privada. E haverá mais 3 na zona Sul.
JC - Qual a alternativa para esse modelo de captação subterrânea?
Rodrigo - A primeira opção é captar do córrego Água Parada. Eu defendo que, assim que for concluído o Plano Diretor de Águas, o DAE contrate o plano executivo dessa obra. Não sei se consigo fazer no meu governo. Mas depois da Estação de Tratamento de Esgoto, ela é a mais importante no setor de saneamento. Por conta da qualidade da água do rio Tietê, trazer de lá será viável daqui a 20 ou 30 anos. Nós não podemos esperar.
JC - Investir em abastecimento resolverá?
Rodrigo - Precisamos de tudo. E ao mesmo tempo. O DAE ficou por muitos anos sem investir na perfuração de sequer um poço. Temos uma tarifa barata, o que é bom, mas, por outro lado, inibe grandes investimentos. Hoje, se eu tivesse mais reservatórios, por exemplo, diminuiria a principal despesa da autarquia, que é com energia elétrica.
JC - Qual a demanda por reservatórios?
Rodrigo - Temos um projeto pronto. Submetemos a proposta ao Ministério das Cidades de construir pelo menos 15 bons reservatórios para que o DAE pare de bombear água o tempo todo. Isso permitiria que os poços parassem nos momentos em que a energia é mais cara. Só que o dinheiro não veio. Com esses reservatórios, também conseguiríamos regular pressão no sistema. Nas regiões mais altas, ela é muito baixa. Em outras, a água vem com o dobro da pressão. Isso acaba estourando a rede.
JC - Houve avanços?
Rodrigo - Apesar de todas as crises do DAE, não estou com problema de falta d’água na cidade inteira. Essas situações foram sempre em regiões bem definidas. Em algumas, tenho sobra relativa de água e em outras, estamos em situação-limite. Em alguns núcleos, não há sequer caixa d’água pequena nas casas, como no Beija-Flor e no Bauru 16. Mas também precisaremos fazer a interligação do sistema. É uma obra pesada e cara, mas inevitável.
