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Após ataques a UPPs, PM ocupa três favelas cariocas


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Após a série de ataques coordenados contra UPPs, a Polícia Militar do Rio iniciou uma ocupação em três favelas cariocas que ainda não possuem essas unidades de polícia pacificadora.

O objetivo das ações, de caráter contínuo, é preparar as regiões para a entrada de tropas federais, conforme acordo entre o governador Sérgio Cabral (PMDB) e a presidente Dilma Rousseff, selado ontem em Brasília.

A principal operação foi no complexo da Maré (zona norte), onde ao menos 120 homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) entraram na madrugada de ontem para apreender armas e drogas em Nova Holanda e Parque União.

Segundo informações da Polícia Federal, traficantes do Comando Vermelho e do PCC (Primeiro Comando da Capital) reúnem-se toda semana nas duas favelas.

Estratégia

O governo do Rio deve propor amanhã, quando chegam à cidade o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) e o chefe de Estado Maior das Forças Armadas, general José Carlos de Nardi, que as tropas federais ocupem o complexo da Maré.

A área ainda não tem UPP e é considerada estratégica por estar junto às linhas Amarela e Vermelha e à avenida Brasil, principais acessos ao centro do Rio.

“Até o momento fizemos algumas apreensões e prisões, o clima da ocupação é tranquilo”, disse o coronel Olaviano, comandante do Bope, que estava na Maré na manhã de ontem.

Segundo a PM, toda a tropa está de prontidão, com folgas cortadas. A tropa paraquedista, usada nas ocupações, está reunida na base para eventual atuação.

Até o início da tarde de ontem, dois supostos traficantes foram mortos na favela Para Pedro (zona norte), em confronto com a PM. Foram apreendidos 7 kg de maconha, três de cocaína, dois fuzis, uma pistola, uma granada e uma metralhadora.

PMs da UPP Mandela, onde o cardeal dom Orani Tempesta celebrou missa na manhã de ontem, apreenderam um tonel com 50 litros de gasolina que, segundo eles, poderiam ser usados para fazer coquetéis Molotov.

Outra ação aconteceu no morro do Juramento (zona norte), ocupado por PMs de três batalhões desde a noite de sexta. Eles devem permanecer no local por tempo indeterminado.

Ainda na madrugada de ontem, o Batalhão de Choque realizou uma operação no morro do Chapadão, em Costa Barros (zona norte), onde traficantes teriam se reunido no Carnaval para planejar os novos ataques a UPPs.

Procissão

Por motivos de segurança, o cardeal dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio, cancelou uma procissão que iria pedir paz na favela do Mandela, no Complexo de Manguinhos, onde a base da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) local foi incendiada na última quinta-feira.

Durante missa para cerca de 300 pessoas, o cardeal falou que o caminho da conversão deve ser de busca pela paz, mesmo que tenha que denunciar os que fazem o mal. Na saída, conversou com policiais militares da UPP e deu uma bênção.

“Me sinto mais protegido”, disse o soldado Carlos Henriques, que chegou a ficar encurralado no ataque à base.

 

 

 

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