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Francamente...

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Francamente...

Leio neste sábado cinza de belo outono que a nova onda de selfie é distorcer o rosto com fita adesiva. Isso mesmo: cobre-se a face com fita para exibir o amassado da fuça na internet.

Tenho tendência a achar divertidos esses "fenômenos", mas não posso deixar de refletir. Afinal de contas, que protagonismo estamos buscando? É cada vez mais certo dizer que não há limite quando se quer chamar a atenção. Se não temos talento para atrair olhares, vamos de fita adesiva mesmo.

Do "BBB 14" nada espiei neste ano. Eu e muita gente, já que a audiência não está lá aquelas coisas. Juro que tento gostar, mas a imbecilidade de alguns participantes transforma a atração num zoo marcado pela aspereza. Não dá.

Desde criança, desejamos ser o centro das atenções. Ao escrever, quero que alguém leia e não viva mais sem mim. O bom é que, com a sabedoria ensinada pelo tempo que passa, bobagens da estima ficam para outros egos.

Mais vale exercer uma "coadjuvância" decente do que um falso e histérico protagonismo. Adolescentes deveriam pensar um pouco nisso antes de quase entortarem seus dedinhos ágeis ao celular.

Sou fã de um bom texto, como de Ruy Castro em "Ela é Carioca" sobre personagens de Ipanema; de uma canção magistral como "Luz do Sol", de Caetano; de uma interpretação convincente, como fez Denzel Washington no filme "O Voo", o que lhe rendeu indicação ao Oscar.

Eu sempre disse que um dos melhores slogans de todos os tempos é "nada substitui o talento", do prêmio Profissionais do Ano. Cresci ouvindo essa mensagem e isso, em mim, ajudou a criar uma certa "cultura do reconhecimento". Por isso não dá para aplaudir falsos profetas dos holofotes. Desses que aparecem apenas por... aparecer.

Se vamos nos sobressair, que seja pela beleza de um canto perfeito e não por uma fitinha no rosto. Isso qualquer bobo faz.
O autor, João Pedro Feza, é editor executivo do JC

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