José Mujica negou que tenha exigido a libertação de três agentes cubanos ao aceitar o pedido dos Estados Unidos para acolher cinco presos da base americana de Guantánamo (Cuba) no Uruguai.
"A decisão já estava tomada e sem nenhuma condição, mas em algum momento pudemos dizer ao governo americano: "Por favor, melhorem a relação com Cuba e se lembrem das pessoas de lá que estão presas", afirmou hoje o presidente uruguaio em entrevista à rádio El Espectador. "Não quer dizer que vamos conseguir, mas que não nos calamos."
Ontem, a embaixadora americana no Uruguai, Julissa Reynoso, negou que houvesse qualquer condição imposta aos Estados Unidos, já que trata-se de "um ato humanitário".
Na sexta-feira, Mujica havia declarado em sua coluna radial que a decisão de aceitar os refugiados não havia sido tomada por "dinheiro" ou "conveniência", mas que isso não lhe impedia de pedir em troca a libertação dos cubanos.
Segundo o mandatário, quatro sírios e um palestino foram escolhidos para desembarcar no Uruguai. Mujica disse ter sido procurado por empresários que já se ofereceram para dar emprego e moradia aos refugiados.
Reunião com Obama
Mujica também contou que o presidente americano, Barack Obama, já marcou uma data para que os dois se reúnam e conversem sobre a decisão do Uruguai de acolher os presos de Guantánamo.
Mas o uruguaio afirmou que tem "80% de chance" de não ir ao encontro com o colega americano.
Como o Uruguai está em ano de eleições presidenciais, Mujica teme que a conversa com Obama possa ser usada na campanha. "É provável que não seja conveniente eu ir", declarou o mandatário à rádio El Espectador.