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Helicóptero foi retirado do Lago da Prata pelo Corpo de Bombeiros |
O helicóptero Robinson, modelo R-44, matrícula PT-YSY, que caiu em 1º de maio de 2012, durante voo panorâmico em uma feira agropecuária de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), deixando quatro feridos (leia mais abaixo), não apresentou pane mecânica. Além disso, o piloto não tinha autorização para realizar voos panorâmicos. Essa foi a conclusão de relatório técnico divulgado recentemente pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
O acidente ocorreu à tarde, quando a aeronave sobrevoava o recinto de exposições da Feira Agropecuária Comercial e Industrial de Lençóis Paulista (Facilpa). O voo deveria durar quinze minutos. Após colidir com a rede de alta-tensão, o helicóptero caiu, chocou-se violentamente contra a água e afundou no Lago da Prata.
O piloto Paulo José Appa Okumura, 35 anos, de São José dos Campos, e os passageiros Rodrigo Evangelista dos Santos, 26 anos, Erisvaldo Serafim Avelino, 24 anos, e Moacir Damasceno Lopes filho, 32 anos, moradores de Lençóis Paulista, conseguiram sair da aeronave e nadar até as margens do lago, onde foram resgatados.
Okumura e dois passageiros sofreram lesões graves. Um terceiro passageiro teve apenas ferimentos leves. O relatório aponta que o piloto possuía licença de piloto comercial e estava com habilitação técnica válida, além de ser qualificado e experiente para o tipo de voo. O certificado de aeronavegabilidade do helicóptero também estava válido.
Segundo o documento, ao contrário do informado preliminarmente pela assessoria de comunicação da Facilpa na ocasião do acidente, que atribuiu a queda à perda de potência do rotor durante voo, testemunhas ouvidas não perceberam ruídos que pudessem indicar possível falha de motor durante a decolagem.
“De acordo com a situação dos destroços da aeronave, com configuração dos comandos e interruptores, com a trajetória do voo e com depoimento de testemunhas, tornou-se improvável que tenha ocorrido qualquer falha no motor da aeronave que pudesse contribuir para a ocorrência”, pontua.
“Todos os indícios sugerem que a aeronave estava com o motor em funcionamento normal e que o piloto se preparava para fazer uma passagem baixa próxima ao local, conforme havia sido combinado com passageiros antes da decolagem”.
Falhas
O relatório revela ainda que a aeronave estava registrada na categoria Transporte Público Privado (TPP), o que impedia o uso para voos comerciais. “O piloto tinha conhecimento que o helicóptero estava registrado na categoria TPP, logo, não poderia ser utilizado para aquele tipo de voo, pois estava em desacordo com as prescrições do respectivo Certificado de Aeronavegabilidade, conforme atesta o artigo 302 do CBA”, salienta.
Ainda de acordo com o documento técnico, não foi realizado nenhum estudo do local definido para as operações aéreas. “Como não foi realizado um estudo preliminar da área em que seria realizada a operação e como o piloto não havia voado anteriormente naquela região, é provável que após a decolagem o piloto não tenha avistado a fiação elétrica”, diz.
No relatório, que busca somente prevenir futuros acidentes, o Cenipa recomenda à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a adoção de procedimentos visando à divulgação do documento aos pilotos de aeronaves privadas e à melhoria dos mecanismos de fiscalização em eventos com grande público.
Conforme divulgado com exclusividade pelo JC, o helicóptero que caiu em Lençóis Paulista já havia se envolvido em acidente semelhante, em novembro de 2006, durante festa de confraternização de final de ano de sindicato em Ibiúna. Na ocasião, um homem com cerca de 50 anos e duas crianças de sete anos, além do piloto, escaparam sem ferimentos.