Internacional

Chefe do Exército anuncia candidatura à Presidência do Egito

Folhapress
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O chefe do Exército egípcio, Abdel Fatah al-Sisi, anunciou nesta quarta-feira (26) que deixa as Forças Armadas e que apresentará sua candidatura às próximas eleições presidenciais para se colocar "às ordens do povo".

"Me apresento pela última vez vestido de militar porque decidi que minha etapa de ministro da Defesa já terminou e estou à ordem do povo", disse Sisi nas primeiras palavras de seu discurso à nação divulgado pela televisão estatal.

Em uma declaração televisionada, disse que não poderia "fazer milagres" e apelou aos egípcios para trabalhar duro e melhorar o país.

Sisi, 59, que depôs o presidente Mohamed Mursi no ano passado, também afirmou que o Egito estava ameaçado por terroristas e que vai trabalhar para fazer um país "livre do medo".

O discurso aconteceu depois que a cúpula militar, liderada por Sisi, se reuniu com o presidente interino do Egito, Adly Mansour.

O presidente elevou de categoria o chefe do Estado-Maior do Exército, Sedki Sobhi, um movimento interpretado como o primeiro passo para que este substitua o marechal Sisi.

Para se apresentar às eleições, ainda sem data, Sisi devia renunciar à chefia do Exército, já que a nova Constituição egípcia, aprovada em referendo no último mês de janeiro, impede um militar de se tornar presidente do país.

Após a derrocada do presidente islamita Mohamed Mursi, deposto por um golpe militar no último dia 3 de julho, o Exército egípcio estabeleceu um roteiro que incluía a aprovação de uma nova Carta Magna e a convocação de pleitos presidenciais e legislativos.

Um dos líderes da Irmandade Muçulmana, organização de Mohamed Mursi, disse que "não haverá estabilidade" na presidência de Sisi.

"Não pode haver estabilidade ou segurança sob uma presidência Al-Sissi", declarou Ibrahim Mounir, membro do Escritório político da Irmandade Muçulmana.

Julgamentos

Mais de 900 partidários de Mursi compareceram a um tribunal egípcio, que já julgou outros 1.200, dos quais 529 foram condenados à morte, informou a agência oficial do país nesta quarta-feira.

Entre os 919 acusados está Mohamed Badie, o guia supremo da Irmandade Muçulmana. A influente organização foi considerada terrorista pelo novo governo, e seus integrantes foram reprimidos de maneira violenta.

Os suspeitos, em sua maioria ausentes, são acusados de participar de atos violentos que causaram a morte de dois policiais em Minya e de ataques contra bens públicos e privados.

As ações ocorreram em 14 de agosto de 2013, no mesmo dia em que o Exército e a polícia mataram no Cairo mais de 700 manifestantes favoráveis a Mursi.

Na segunda, a condenação de 529 à pena de morte, anunciada pelo mesmo tribunal de Minya, provocou a reação da comunidade internacional. Existe um receio quanto à repressão aplicada contra os apoiadores de Mursi desde sua queda, em 3 de julho.

    


 

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