Nacional

Bolsa fecha em queda e encerra sequência de sete altas

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou nesta quarta-feira (26) em queda de 0,45%, aos 47.965 pontos, encerrando uma sequência de sete altas.

"O rali da Bolsa desde a semana passada abriu espaço para os investidores embolsarem lucros", diz João Pedro Brügger, analista da consultoria Leme Investimentos. "Além disso, o mercado nacional sofreu influencia dos EUA, onde as Bolsas caíram após o discurso de Obama sobre a Crimeia e a tensão política com a Rússia", acrescenta.

As ações da Oi lideraram as perdas do Ibovespa no dia, com baixa de 11,14%. O movimento reflete a decisão da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) de permitir que os controladores da companhia participem de assembleia sobre a fusão com a Portugal Telecom.

Os acionistas minoritários haviam pedido à CVM para que impedisse os controladores de participarem do evento, porque não concordavam com o laudo de avaliação dos ativos da Portugal Telecom, elaborado pelo Santander.

O setor bancário também teve influência na Bolsa brasileira hoje. As ações dos bancos fecharam em alta, apesar de terem reduzido os ganhos durante a tarde, quando o Ibovespa, afetado pelos EUA, também perdeu força.

Para Brügger, o que motivou o ganho dos bancos hoje foi a reunião que a presidente Dilma Rousseff teve ontem com os representantes dessas instituições. "Ela parecia estar mais disposta a ouvir o setor, que sofreu nos últimos anos com uma interferência do governo, como para uma redução do spread (diferença entre o juro cobrado nos empréstimos e o pago dos clientes que investem), por exemplo", avalia.

Ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor's anunciou o corte na nota de 13 instituições financeiras, entre elas estão os cinco maiores bancos do país. A medida veio um dia após a agência ter reduzido a nota do Brasil de "BBB" para "BBB".

"O corte já era esperado. Era sabido que quando a agência abaixasse a nota do governo, também iria reduzir a avaliação das empresas de setores mais expostos a ele. No geral, não tem impacto e não deve afetar a capacidade deles de tomar recursos", Elad Revi, analista-chefe da Spinelli Corretora.

As ações do Itaú Unibanco fecharam hoje em alta de 0,86%, enquanto Bradesco subiu 2,22% e Santander teve valorização de 2,23%. Já os papéis do Banco do Brasil avançaram 1,30% no dia.

O setor também foi influenciado pela notícia de que o STJ (Superior Tribunal de Justiça) adiou pela terceira vez o julgamento do processo que define com mais precisão o custo das ações judiciais movidas por poupadores que afirmam ter tido perdas com a edição de planos econômicos nos governos Sarney e Collor.

"O julgamento da correção das poupanças é algo que os bancos têm que se preparar para arcar com uma possível decisão desfavorável. Eles precisam de um prazo para poder montar uma estratégia para se provisionar. Ainda há muitas dúvidas sobre o assunto e quanto mais demora para o julgamento acontecer, mais perdido o mercado fica", diz Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.

Na ponta positiva do Ibovespa, ganharam destaque os papéis da TIM Participações, que subiram 4,01%. Segundo analistas, pode ter havido migração de investimentos da Oi para TIM entre os aplicadores que querem manter posições no setor de telecomunicações.

Dólar Sobe

Depois de sete dias em baixa, o dólar voltou a ganhar força em relação ao real hoje, em meio a intervenções não convencionais do Banco Central.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve alta de 0,42%, a R$ 2,312 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, avançou 0,08%, para R$ 2,308.

    


 

Comentários

Comentários