Em meio à guerra civil, já em seu quarto ano, a Síria deve ganhar em abril uma nova companhia aérea privada.
O lançamento da Kinda Airlines dá conta dos avanços do ditador Bashar al-Assad, que tem mantido e ampliado o controle sob seu território, empurrando violentamente rebeldes para regiões fronteiriças ao norte e leste.
A companhia aérea planeja voar, em um ano, a mais de dez destinos, incluindo Iraque, Líbano e Jordânia.
A insurgência foi iniciada na Síria em março de 2011 com protestos pacíficos. Após a repressão do regime de Assad, a disputa interna tornou-se violenta no país. Mais de 140 mil morreram ali.
Houve, nos últimos três anos, uma série de avanços no conflito. O ditador foi favorecido pela vinda de guerreiros da facção xiita libanesa Hizbullah e pela fratura entre os grupos de oposição, divididos entre seculares -como o Exército Livre- e islamitas -como a Jabhat al-Nusra, ligada à Al Qaeda.
O regime sírio mantém hoje o controle da região da capital, Damasco, e de regiões da costa mediterrânea. A Kinda Airlines deve operar com partidas em Damasco e Latakia, bastião alauita, facção da qual Assad faz parte
Diversos outros aeroportos estão em poder de rebeldes. Houve, durante o ano passado, disparos realizados contra o aeroporto de Damasco.
De acordo com a agência Reuters, que entrevistou o vice-gerente comercial da companhia, a empresa registrou um Boeing 737-400 da aviação jordaniana e tem contrato para voar um Airbus A320 de uma firma da Gâmbia.
Segundo o vice-gerente Esmail Sharaf, será um desafio gerenciar a companhia em meio a sanções dos EUA, da União Europeia e da Liga Árabe contra a Síria. Sua rival, a Syrianair, já teve de interromper operações por não poder comprar novas peças para os seus aviões.
"As sanções estão fazendo disso [algo] muito, muito difícil", afirmou Sharaf à Reuters.
Anteriormente a firma Syrian Pearl Airways, que rompera com o monopólio da Syrianair após quatro décadas, teve de ser fechada um mês depois da estreia devido a sanções americanas.