E o viaduto? Pode parar. Em reunião pública realizada ontem, por iniciativa da Comissão de Obras da Câmara Municipal, a Bema Construções, empreiteira que executa a obra para concluir a estrutura que ligará a Vila Falcão e o Bela Vista, pediu o prazo de 72 horas úteis para definir se dará ou não ao trabalho prosseguimento aos trabalhos de acordo com as novas condições oferecidas pela Prefeitura de Bauru
A possível desistência é motivada pela nova planilha de custos do serviço apresentada nesta quinta-feira pelo município à empresa. A proposta prevê a redução de R$ 140 mil no contrato da obra, cujo valor original é de R$ 5,9 milhões.
Há um ano, no entanto, a Bema reivindica o aumento de R$ 1,5 milhão no custo do serviço, por meio de pedido de realinhamento de preços dos materiais utilizados. A empreiteira aponta ainda a necessidade de recuperação das estruturas já existentes, deterioradas ao longo dos últimos 20 anos.
Na reunião de ontem, na Câmara Municipal, o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, explicou que a prefeitura, além de abrir mão da execução desses serviços por parte da empresa, propôs a supressão de itens previstos em contrato, como a finalização das cabeceiras do viaduto.
Na prática, o governo quer que a empreiteira apenas termine a construção dos dois vãos restantes do viaduto, sendo que as demais atividades ficariam sob a responsabilidade de suas próprias equipes. “Isso eles conseguem fazer em 60 ou 70 dias”, pontuou Sidnei.
A postura do secretário durante a discussão deixou clara a intenção de, rapidamente, romper o vínculo da atribulada relação entre o poder público municipal e a Bema Construções, que, por diversas ocasiões, trocaram farpas por meio de reportagens publicadas pelo Jornal da Cidade.
Inviável
Engenheiro e representante da construtora, Oney afirmou que, mesmo com as obrigações reduzidas, será praticamente impossível concluir as alças do viaduto com a redução do valor do contratado proposta pelo município.
No entanto, como não tinha recebido as novas planilhas de forma oficial, pediu prazo de 72 horas para dar a resposta final à prefeitura.
Logo no início da reunião, o secretário de Obras deixou claro que não há mais margens para a negociação. “Se a empresa não aceitar, pode ficar à vontade para buscar seus direitos na Justiça”.
A obra deveria durar 12 meses, mas já ultrapassou os 24. Até agora, 74% dos serviços foram aferidos.
Erros
O replanilhamento da obra, que propõe a redução de R$ 140 mil no valor a ser pago à empreiteira, é motivado por erro em projeto, relativo ao dimensionamento da quantidade de aço utilizada.
As alterações técnicas já foram pré-aprovadas pela Caixa Econômica Federal (CEF), que gerencia os repasses dos recursos federais destinados à obra.
Sidnei Rodrigues explicou que a prefeitura contratou o serviço apenas com o projeto básico do viaduto. Segundo ele, o executivo – de responsabilidade da empreiteira – deveria apontar a falha agora constatada.
O representante da Bema, por outro lado, em tom de desabafo, enumerou diversos problemas na condução da obra por parte da prefeitura. Entre eles, a omissão diante de apontamentos técnicos e a morosidade na discussão de pedidos de replanilhamento.
“Estou pedindo apenas 72 horas para que a empresa se manifeste. Nós esperamos um ano o retorno da prefeitura”, cutucou.
Oney também atribuiu ao poder público municipal a responsabilidade pelos atrasos na obra.
Perigo?
O Durante a reunião pública, Oney, da Bema Construções colocou em xeque a capacidade técnica dos profissionais da prefeitura para executar serviços essenciais para garantir que o viaduto inacabado seja liberado à população.
“Há fissuras, as lajes balançam e apresentam um grau de deterioração com comprometimento da estrutura,” disse o engenheiro.
A colocação irritou o secretário Sidnei Rodrigues, que pediu mais respeito aos servidores públicos municipais.
Implicações
Sidnei Rodrigues não esconde o temor de que o caminho judicial trave a possibilidade de conclusão do viaduto, cuja obra se arrasta há dois anos. “Tenho muita expectativa de que eles aceitem o replanilhamento proposto”.
Ele, porém, garantiu que, caso a Bema abandone o canteiro, a obra poderá ser terminada por equipes de trabalho da própria Secretaria de Obras, apesar do alto grau de complexidade. “É possível que a gente assuma mesmo o fechamento dos vãos, mas acredito que a empresa vai aceitar a proposta”, disse o chefe da pasta.