Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Vladimir Putin, conversaram nesta sexta-feira (28) por telefone e decidiram iniciar negociação sobre a crise na Ucrânia. É a primeira vez que os dois se falam desde a anexação da Crimeia, na semana passada.
Segundo a Casa Branca, Obama pediu a Putin que apoie uma solução pacífica para a disputa e evite provocações. Entre elas, aumento no número de soldados russos na fronteira ucraniana.
Mais cedo, o presidente americano havia dito que o maior efetivo militar era um “esforço para intimidar a Ucrânia, ou pode ser que eles tenham planos adicionais”.
Os Estados Unidos consideram exagerado o deslocamento de 30 mil militares para a fronteira com a Ucrânia. A Rússia nega e diz que o efetivo está de acordo com o definido pela lei internacional.
O jornal “The New York Times” informou que Obama teria sugerido no telefonema que Putin retirasse as tropas da Crimeia. Nem a Casa Branca nem o Kremlin confirmam a informação.
Por outro lado, Putin pediu a seu colega americano mais atenção ao avanço de grupos extremistas no país vizinho, segundo nota do Kremlin.
Moscou acusa a extrema direita ucraniana de perseguir e intimidar os partidários do ex-presidente Viktor Yanukovich, com a vista grossa do novo governo do país.
Nesta sexta radicais ultranacionalistas do partido Pravy Sektor (setor de direita, em tradução literal) se concentram em frente à Rada Suprema, o Parlamento da Ucrânia, para exigir a renúncia do ministro do Interior, Arsen Avakov, a quem responsabilizam pela morte de um de seus líderes.
Empréstimo FMI
O Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Ucrânia estão discutindo a liberação de 3 bilhões de dólares como primeira parcela de um pacote de ajuda de 14 a 18 bilhões de dólares, disse o ministro das Finanças ucraniano.
O acordo, anunciado na quinta-feira e que também irá disponibilizar créditos adicionais de um total de 27 bilhões de dólares, tem como objetivo ajudar a ex-república soviética altamente endividada a estabilizar sua economia depois de meses de distúrbios políticos.
“Eles (o FMI) estão prontos a conversar hoje sobre (liberar) uma primeira parcela de 3 bilhões de dólares, dos quais metade vai para o Banco Nacional e metade para o orçamento do Estado”, disse o ministro Oleksander Shlapak aos jornalistas à margem de uma reunião de governo.
Na noite de quinta-feira o Parlamento da Ucrânia aprovou uma lei anti-crise apoiando o programa de reformas do FMI que acompanha o pacote financeiro, e que o fundo diz ser necessário para colocar a economia nos trilhos e evitar um calote da dívida.
O acordo também está sujeito à aprovação da administração e do comitê executivo do FMI, que irão analisá-lo em abril.
As condições almejadas pelo FMI incluem permitir uma flutuação maior da moeda nacional, a grívnia, em relação ao dólar, aumentar o preço do gás para consumo doméstico, inspecionar as finanças do setor de energia e seguir uma política fiscal mais austera.
Posição brasileira
O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, justificou ontem a postura do país em se abster na votação ocorrida ontem na ONU sobre o referendo que anexou a região da Crimeia à Rússia. Segundo ele, o processo deve ocorrer na base do diálogo e não em uma “lógica de sanções contra sanções”, que ele comparou à ocorrida durante o período da Guerra Fria. Figueiredo lembrou que o Brasil fez parte do grupo de 58 países que se abstiveram, como todos os integrantes do Mercosul e dos Brics, a exceção da Rússia, que votou favoravelmente ao referendo.