Cultivar a memória e resgatar a história. Cinquenta anos após a instauração do regime militar no País, a 3ª Jornada dos Direitos Humanos, organizada pelo Observatório em Educação de Direitos Humanos (OEDH), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), propõe uma séria de atividades ao longo do mês de abril que têm como principal público-alvo os jovens e estudantes.
As “jornadas de abril” acontecerão, simultaneamente, em São Paulo e outras 10 cidades do interior, com o apoio do Memorial da América Latina, Memorial da Resistência de São Paulo, Núcleo de Preservação da Memória Política, Fundação Perseu Abramo e Instituto Vladmir Herzog. Em Bauru, a Comissão Municipal da Verdade “Irmãos Petit” participa da organização.
A abertura oficial do evento acontece na tarde de amanhã, na Capital do Estado. Por aqui, o presidente da comissão local e ex-preso político, Carlos Roberto Pittoli, fará pronunciamento na Tribuna Livre da sessão da Câmara Municipal, a partir das 14h.
Já às 20h de segunda-feira, ele e outros membros da Comissão da Verdade participarão de discussão sobre o golpe militar na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), da Universidade de São Paulo (USP).
Base
Coordenador do OEDH, o professor Clodoaldo Meneguello Cardoso explica que a intenção da jornada e de todas as atividades propostas é promover a educação com qualidade social, que vai muito além da grade curricular tradicional e dos índices oficiais.
Por conta disso, oficinas com o tema “Memória, Verdade e Cidadania hoje” acontecerão em três escolas estaduais de Bauru. Na Eduardo Velho Filho, o encontro já está agendado para o dia 15 de abril. A proposta da Comissão da Verdade também chegará às unidades Edison Bastos Gasparini e Ernesto Monte, ainda sem datas definidas.
Clodoaldo conta ainda que todas as escolas da rede municipal receberam um kit com material que proporcionará discussões durante as horas voltadas para os trabalhos pedagógicos junto a professores.
No câmpus de Bauru da Unesp, as atividades da jornada “Golpe Militar: 50 anos – Memória, História e Direitos Humanos” se concentrarão entre os dias 22 e 24 de abril. No primeiro dia, professores que atuaram na universidade ao longo das três décadas abrangidas pela ditadura farão suas análises e contarão suas vivências sobre esses períodos. Já no dia 23, será discutido o processo de concepção da Unesp durante o regime militar, bem como o espelho da ditadura dentro da instituição ainda hoje.
No último dia, a Comissão da Verdade vai discutir os “anos de chumbo” em Bauru, com apresentação de relatório parcial e análises sobre acontecimentos na cidade que revelam a presença explícita de forças de repressão e dos movimentos de resistência de muitos bauruenses. “Temos dois processos praticamente concluídos e estamos em fase de encerramento do terceiro, que aborda a Frente Anticomunista de Bauru. Já ouvi membros desse grupo, que relatam empastelamento da sucursal do jornal Última Hora, que andavam armados e outras coisas”.
O professor Clodoaldo diz ainda que, ao longo desses dias, estará disponível grande exposição de livros sobre o assunto.
Memória: Cultura e Ecologia
O fim da jornada de abril em Bauru será marcado pela arte e pela preservação. No dia 26, um grande sarau tomará conta dos porões do Museu da Imagem & Som de Bauru. “Memória e Verdade – O universo da subversividade cultural” vai abrir o palco para apresentações das canções que marcaram a resistência contra ditadura. Na manhã de domingo de 27 de abril, em parceria com a Prefeitura de Bauru, o Parque Vitória Régia se transformará em um memorial para os mortos desaparecidos da ditadura. Na ocasião, serão distribuídas 500 mudas de pau-brasil para escolas e entidades. “A ideia é que sejam cultivadas as plantas e a memória das vítimas”, finaliza o professor Clodoaldo Cardoso.