Aos trancos e barrancos o homem avança.
Toma conta, domina.
E mata.
Desmata.
Derruba a mata no chão.
Pouco se importa, é preciso avançar...
Inconsequente.
Impiedosamente.
Nada sente.
Cospe fogo e desolação.
A onça, coitada,
Assusta-se desesperada.
Não consegue entender.
Por que de repente sua toca não mais existe?
Não tem como se abrigar.
Tem fome, procura, insiste.
Mas onde caçar?
Apavorada, desorientada e desnutrida,
corre em busca de um refúgio.
E, em vez da grama macia,
pisa o negro asfalto.
Quente! Machuca, sente a dor.
Esgueira-se, desvia, dá um salto
A árvore da praça a acolhe.
Mas, que estranho, por que tanto barulho?
Tão diferente do sussurrar do riacho,
do cheiro das folhas, da flores,
do pipilar sonoro das aves na mata...
Serenando a mente,
mexendo com a gente...
Que acalmam, trazem paz ao coração
Que animais são esses que passam
apressados,
que correm, tensos, nervosos,
que se movimentam buzinando,
soltando fumaça,
trocando a paz pela agitação!
A onça se encolhe, o pavor a domina.
É uma onça menina
O desespero cresce e toma conta.
Provoca o instinto de preservação.
À sua volta escurece,
Estão tentando derrubá-la.
Eles querem caçá-la.
Acuada, estressada, mostra as presas,
Surpresa...
Adormece...
Ignora o que o futuro lhe reserva:
Seu amanhã, quem sabe?
Por ora, voltando ao cerrado, mas,
por fim, sua extinção?
José Carlos Francisco - psicólogo