João Rosan |
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Projeto da administração que pode ser adiado é a revitalização da avenida Rodrigues Alves até prolongamento da av.Pedro de Toledo |
A possibilidade de Bauru pleitear verba junto ao governo federal no PAC Mobilidade diminuiu drasticamente neste ano após a aprovação do parcelamento da dívida da Cohab, no último mês. Diferente de outras verbas que a cidade conquistou como os R$ 118 milhões para a Estação de Tratamento de Esgoto, que são a fundo perdido, o PAC Mobilidade é um empréstimo da União para os municípios.
Bauru tem como principal intenção dentro desta área a revitalização da avenida Rodrigues Alves, desde o cruzamento com a avenida Nações Unidas, até o seu prolongamento na avenida Pedro de Toledo, chegando até a rotatória da Praça Espanha, onde começam os viadutos Mauá e Nuno de Assis (acesso à Vila Falcão).
O JC trouxe ampla reportagem no ano passado sobre o assunto, mostrando que a obra não seria apenas uma troca da capa asfáltica, mas também uma intervenção no modelo arquitetônico atual, com reorganização do espaço do canteiro central, dos pontos de ônibus e do paisagismo. Porém, com a possibilidade praticamente nula de buscar verba do PAC Mobilidade, o projeto pode sofrer alterações.
O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) admite que o nível de endividamento de Bauru está próximo do limite, o que deve inviabilizar um financiamento deste porte – na casa dos R$ 13 milhões. “Realmente é muito complicado para Bauru buscar essa verba devido ao parcelamento da dívida da Cohab. Porém vamos buscar outras alternativas para que a revitalização da avenida Rodrigues Alves possa acontecer”, explica.
Emendas
Uma das possibilidades apontada pelo prefeito é correr atrás de emendas parlamentares em Brasília, ou ainda tentar convênios com o governo estadual. “São duas alternativas que a gente pode tentar, seja através de emenda individual ou da bancada paulista, ou ainda junto ao governo do Estado. Outra solução é bancar parte disso com recursos próprios, mas para isso precisaremos de uma economia a médio prazo, sem comprometer o orçamento da cidade”, detalha.
Em 2013, Bauru optou pelo PAC Pavimentação em detrimento ao PAC Mobilidade, até por entender que o benefício seria maior para a população, na ótica do próprio Executivo – ambos são financiamentos, ou seja, serão pagos pelo município ao longo dos anos. “O PAC Pavimentação (no valor de R$ 43 milhões) vai sanar um grande número de ruas de terra, quantidade de pessoas beneficiadas é grande e é um problema grande que temos em Bauru, por isso optamos por este PAC”, frisa Rodrigo, que lembrou que este possivelmente foi o último grande financiamento contraída por Bauru pelos próximos anos.
Até onde?
Líder do prefeito na Câmara e presidente da Comissão de Obras do Legislativo, o vereador Renato Purini (PMDB), confirma que haverá um pedido formal por parte dos parlamentares para saber qual o nível de endividamento do município. “Amanhã (hoje) vamos mandar um ofício à prefeitura solicitando a real capacidade de endividamento de Bauru, e se este valor (R$ 13 milhões) se encaixa dentro disso. Aparentemente, não. Mas precisamos saber, e também checar se houve a reabertura do PAC Mobilidade, caso a cidade tenha condições de participar, o que repito, parece ser difícil”, considera.
“Temos que pensar no transporte público de maneira mais racional. A (avenida) Rodrigues Alves virou um grande terminal urbano a céu aberto, e a cidade precisa de outras alternativas”, reitera Purini. “Outro ponto é que a revitalização da Rodrigues é apenas um dos pontos para melhorar o Centro. Isso passa também pela Estação Ferroviária, que já é do Município e em breve deve ser reformada”, ressalta.
Redistribuição
Um dos pontos levantados pelo prefeito Rodrigo Agostinho diz respeito à diminuição da quantidade de ônibus urbanos transitando pela avenida Rodrigues Alves como algo que deve ocorrer a curto prazo. “O estudo para a remodelagem do sistema de transporte coletivo concluído recentemente sugere que parte das linhas passe para outras vias. Hoje temos uma sobrecarga na Rodrigues, com quase todos os ônibus passando por lá”, diz.
Em relação à licitação para dois lotes do transporte coletivo, que atualmente estão com a Grande Bauru e a Baurutrans (ambas já tiveram seus contratos prorrogados), o chefe do Executivo afirma que a outorga onerosa será o modelo empregado para definir as empresas contratadas. “Se não fizermos isso, vamos voltar a precisar da Câmara de Compensação Tarifária, e no ano seguinte corremos o risco de ter um aumento significativo da tarifa, inclusive via judicial. Por isso a outorga onerosa, que vai permitir que a cidade tenha recursos para investir no setor de transporte e mobilidade. Nos próximos dias o edital já deve estar pronto para que a licitação posso ocorrer em breve”, destaca.