Política

Câmara aperta Saúde contra filas de espera por cirurgias e exames

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

A saúde pautou a sessão da Câmara Municipal desta segunda-feira (31). Os vereadores Fabiano Mariano (PDT) e Raul Gonçalves Paula (PV) apresentaram projeto que pretende dar publicidade à fila de pacientes que esperam por exames, consultas especializadas e solicitações de cirurgias e tratamentos, cujos pedidos tem origem na rede da prefeitura. Roberval Sakai (PP) também anunciou que fará proposta com o objetivo de limitar a 30 minutos o tempo de espera nas unidades de urgência e emergência de Bauru.

João Rosan

Telma, Mariano, Sakai e Raul encabeçam projetos que pretendem interferir no cenário atual

A proposta do vereador quer tornar mais rápido o primeiro atendimento, obrigatoriamente feito por um médico, nessas unidades, para  que seja determinado qual o tipo de resolução para cada paciente. Entre alguns vereadores, o projeto foi taxado de populista. Questionado, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, criticou duramente a ideia.

 

“Dá para perceber que partiu de alguém que entende nada sobre serviços de saúde. Parece, aliás, que a saúde voltou a ser pauta na Câmara não porque cresceu a preocupação com o assunto, mas pela proximidade do período eleitoral”, rebateu.

 

O parlamentar falou sobre o projeto após exibir imagens do Pronto-Atendimento Infantil (PAI) na noite de quarta-feira, quando, segundo ele, apenas um médico atendia a grande demanda de crianças, que chegaram a esperar por seis horas. 

 

Sakai usou a tribuna para “desmentir” o diretor do Departamento de Urgência e Emergência, Luiz Antonio Bertozo Sabbag. Na ocasião, ele garantiu que quatro profissionais estavam no PAI. “É mentira. Eu entrei nos consultórios e apenas uma médica estava atendendo”, afirmou, ontem, o pepista.

 

O parlamentar deu a entender ainda que os médicos escalados para o plantão da última quarta-feira são os mesmos investigados pelo Ministério Público por baterem o cartão de ponto, mas não cumprirem a jornada de trabalho integralmente.

 

Ao JC, Fernando Monti saiu em defesa de Sabbag. Segundo ele, os serviços de urgência e emergência, mesmo na pediatria, em sua maioria, não devem ser realizados em consultórios. 

 

Equipe

 

Segundo Telma Gobbi (PMDB), os problemas mostrados por Sakai acontecem em função do déficit de profissionais da saúde. 

 

“Para completar todas as escalas do Pronto-Atendimento Infantil, existem 15 médicos pediatras. A conta não fecha”. A vereadora anunciou que, ainda nessa semana, apresentará projeto obrigando que em todas as unidades de saúde estejam afixados informes com a quantidade de profissionais que deveriam estar trabalhando em determinado horário e, quantos, de fato, estão no local. 

 

Monti questiona viabilidade para transparência

 

Publicar, no Diário Oficial e no site da prefeitura, toda a demanda de exames, consultas de especialidades e subespecialidades, cirurgias e quaisquer outras solicitações médicas na rede de saúde. Esse é o principal objetivo do projeto de Raul Gonçalves Paula (PV) e Fabiano Mariano (PDT), protocolado ontem. “Temos casos de um pedido de fisioterapia que levou quatro anos para ser atendido. Precisamos dar publicidade para que essas aberrações deixem de acontecer. Funcionou com a publicação dos pacientes que esperavam vagas para internação”, defende o pedetista.

 

O secretário Fernando Monti alega que o projeto é bom quanto ao mérito, mas exige estudo quanto à sua viabilidade. “São coisas diferentes. A quantidade de pedidos de exames e consultas é infinitamente maior que a de encaminhamento para internações”.

 

A proposta é de que ganhem publicidade as siglas do nome do paciente, endereço completo, idade, sexo, cor, unidade solicitante, exame ou procedimento solicitado, justificativa da indicação clínica e data do pedido.

 

Os vereadores querem também a divulgação trimestral da quantidade de todos os procedimentos realizados. “Isso é ainda mais complicado porque dependeremos de outros entes, que prestam a maioria desses serviços”, observa o secretário de Saúde.

 

Raul explica que a medida é importante para que a Saúde saiba quais os serviços cuja oferta não cobre a demanda.

 

Pediatria nas UPAs

 

Sandro Bussola (PT) e Roque Ferreira (PT) questionaram a criação de serviços pediátricos nas 4 Unidades de Pronto Atendimento, já prometidas pela Secretaria de Saúde. Fernando Monti alega que, diante da escassez de pediatras, o município depende da disposição de clínicos em se capacitar para atender crianças nas UPAs. 

 

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