Éder Azevedo |
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Famílias recolheram colchonetes e limparam sede do Incra no Jardim América após ocupação |
Sem-terra de dois assentamentos e três acampamentos da região de Bauru desocuparam o escritório do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na tarde desta quarta-feira (2). Eles estavam no local desde a tarde de quinta-feira passada e afirmaram que não sairiam até que conseguissem conversar pessoalmente com o superintendente do órgão, Wellington Diniz Monteiro.
Conforme o JC já publicou, os ocupantes elaboraram uma pauta de reivindicações, que foi acolhida pelo superintendente substituto, Sinésio Sapucahy Filho, nesta última segunda-feira.
Porém, descontentes com as negociações, eles organizaram um protesto na avenida Getúlio Vargas logo depois da reunião.
No dia seguinte, os sem-terra receberam o ouvidor do órgão, Eduardo Camilo Terra, e resolveram deixar o escritório nesta quarta-feira.
De acordo com Rubens Vieira, colaborador jurídico dos sem-terra, eles desocuparam o local, porque decidiram ir até São Paulo para uma reunião com o superintendente do Incra, marcada para o próximo dia 10.
Na manhã desta quarta-feira, as famílias limparam o escritório da instituição e, à tarde, entregaram as chaves aos funcionários, que voltaram a trabalhar normalmente.
Os sem-terra recolheram as faixas de protesto e retornaram aos respectivos locais que vivem. De lá, cada grupo organizou uma assembleia com o intuito de amadurecer as ideias e a pauta de reivindicações, a ser apresentada para o superintendente na próxima semana.
Em entrevista para o JC na terça-feira (1), o coordenador geral do acampamento da fazenda Santo Antônio, Antônio Carlos Lorca, afirmou que serão disponibilizados quatro ônibus para o transporte dos sem-terra até a capital paulista, mas apenas as lideranças de cada grupo participarão da reunião.
O que o Incra diz
Em nota, a assessoria de imprensa do Incra informou que foi marcada uma reunião no dia 10, à tarde, em São Paulo, com a participação do superintendente Wellington Diniz Monteiro, da equipe técnica do órgão, além de comissões de representantes dos assentamentos e acampamentos da região de Bauru.
Outro ponto que a assessoria reitera é de que a superintendência sempre esteve aberta ao diálogo com os movimentos sociais, motivo pelo qual considerou a ocupação do escritório desnecessária. Apesar disso, reconhece a legitimidade de organização dos trabalhadores rurais em busca de seus direitos e, dentro da legislação e de suas competências, irá buscar as soluções para os problemas apresentados.
