"O Brasil não é para principiantes", já dizia o consagrado músico Tom Jobim. Veja o viaduto inacabado que há 21 anos aguarda para ser entregue aos bauruenses. O "monstrengo" de cimento é o símbolo mais acabado de como funciona o planejamento das obras públicas brasileiras, como o dinheiro público vai fácil para o ralo. Nem vamos entrar na discussão se realmente é necessária essa transposição sobre os trilhos da ferrovia para ligar a cidade à Vila Falcão.
O mesmo acontece com a construção dos novos estádios para a Copa do Mundo. Inicialmente, calculados sob planilhas irreais, os empreendimentos vão custar de duas a três vezes mais caro. É a cultura brasileira da falta de planejamento. Não sei o que se faz nas faculdades de engenharia, afinal, não é possível que as obras públicas e até privadas nunca consigam ser concluídas nos prazos e nunca os orçamentos batem. Alguém deve ser ruim de conta ou é de propósito ou má-fé.
No Poder Público virou anedota dizer que Orçamento é peça de "ficção". Isso mesmo, o calhamaço que a União, Estados e municípios enviam às Casas Legislativas todo ano nunca espelha a realidade. Deve ser subdesenvolvimento nato ou tudo faz parte de um ?azeitado? esquema para os empreendimentos custarem caro. E ninguém fica indignado.
Voltando ao viaduto "tartaruga", obra que está há 21 anos para ser concluída, a segunda alça deve demorar mais 20 anos se o ritmo for o mesmo da conclusão da primeira alça. O pior de tudo é que mesmo sendo uma obra contestável, o simples abandono custaria mais caro.
Para que essa obra fosse planejada, passou por pranchetas de engenheiros, vereadores aprovaram os investimentos e também foi submetido a repartições federais para obter os recursos. Só depois de duas décadas se descobriu que aquela "poluição" visual já rendeu negociações judiciais de majoração de preço estratosférico. O pior, ninguém é o pai da criança e nem responderá pela tamanha negligência. Realmente o Brasil não é para amadores, é para profissionais.
O autor é editor regional do JC