Não serão felizes os próximos capítulos da novela de 21 anos do viaduto inacabado. A Bema Construções, empresa responsável pela obra, quer abrir mão de serviços de alta complexidade que não poderiam ser assumidos pela Prefeitura de Bauru. Caso a posição da empreiteira seja mantida, a entrega da ligação entre a Vila Falcão e a Bela Vista sobre os trilhos da linha férrea sofrerá atraso ainda maior. O prazo inicial venceu em março do ano passado.
Isso porque, para garantir a conclusão da obra, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) teria que abrir novo processo de concorrência pública para licitar os serviços já previstos no contrato que foram abdicados pela Bema.
“A parte complexa que a empresa não quer fazer se resume ao sistema de drenagem e ao ground, que é a junção entre um vão e outro. Eles exigem mão-de-obra mais especializada em função da complexidade”, explica Sidnei Rodrigues, secretário municipal de Obras.
Segundo ele, a construtora pretende apenas fechar os dois vãos restantes do viaduto. A supressão dos demais serviços reduziria em R$ 800 mil o valor a ser pago a Bema em relação ao projeto original, que tinha orçamento de R$ 5,9 milhões.
Uma nova licitação não seria concluída em menos de seis meses e, possivelmente, inviabilizaria o término das obras até o final deste ano. Além disso, como a concorrência vencida pela atual empreiteira foi realizada há mais três anos, o preço dos serviços restantes, certamente, subiria.
Imprevisível
A outra opção, não descartada pelo secretário de Obras, é de que a prefeitura tente, via judicial, obrigar a Bema a executar todos os serviços previstos em contrato pelo valor inicial firmado no processo licitatório. A briga nos tribunais, conduto, pode arrastar a conclusão da obra por tempo indeterminado.
“A gente nunca sabe como isso pode terminar, pois a empresa poderá não dar continuidade nos trabalhos durante o processo. A situação é bastante complicada”, admite o secretário Sidnei Rodrigues.
Análise
O secretário de Obras conta que sua equipe técnica vai se debruçar sobre o caso para que até a próxima quarta-feira a administração decida qual providência vai tomar.
“Uma das coisas que vamos verificar é se, de fato, não há como nossas equipes concluírem esses serviços, mesmos os mais complexos. E, caso não dê, quanto ficaria licitá-los novamente”.
Sidnei pontua que 73% da obra já foram executados. O valor que resta a ser pago gira em torno de R$ 1,5 milhão.
Cifras divergentes
A contraproposta da Bema Construções surgiu após o replanilhamento da obra sugerido pela Prefeitura de Bauru. Insatisfeita com o ritmo dos trabalhos, a administração quis retirar alguns serviços do contrato, o que provocaria redução de R$ 140 mil no valor a ser pago a empreiteira, que, por sua vez, reivindicava aditivo de R$ 1,5 milhão.
Segundo Sidnei Rodrigues, o argumento da empresa para, agora, desejar abrir mão de ainda mais serviços tem embasamento financeiro.
“Eles dizem que o valor não compensa e pleiteiam que a gente utilize uma tabela de preços adotada pelo governo do Estado, mas usamos as do governo federal porque os recursos para a obra vêm da União. O detalhe é que a empresa tinha conhecimento disso quando participou e venceu o processo de licitação”, garante o secretário.
Nos últimos meses, Bema e Obras protagonizam queda de braço, que ficou explícita em reunião pública realizada na semana passada pela Câmara Municipal.