Nove tiros à queima roupa. Foi assim que Carlos Alberto Pereira Moraes, 47 anos, entrou para a triste estatística de homicídios em Bauru no último dia 18 de janeiro deste ano. Pouco mais de dois meses após o crime, a Polícia Civil solucionou o caso. Um dos “chefões do tráfico” da cidade, Wellington Rodrigues de Ferreira de Oliveira, 37 anos, vulgo Gordo, é apontado como autor do crime.
Além de Gordo, que está foragido da Justiça, outro homem participou do assassinato. Dener Eduardo Lopes, 33 anos, conhecido como Duda, foi preso (leia mais abaixo).
Conforme o JC noticiou na época, a Polícia Militar (PM) foi acionada por testemunhas que viram Carlos no interior de um Fiat/Palio, na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), a Bauru-Jaú.
No local, os policiais encontraram a vítima, que tinha passagens por furto e tráfico e havia saído do sistema prisional em maio de 2013, já sem vida. No carro, estava também uma jovem que havia sido atingida por um dos disparos. Ela foi socorrida e não teve ferimentos graves.
O delegado da equipe de investigações sobre homicídios da Central de Polícia Judiciária (CPJ), Cledson Luiz Nascimento, afirma que as apurações partiram da cena do crime e do passado da vítima. “Devido à cena que encontramos, trabalhamos com a hipótese de execução, já que a vítima era envolvida com tráfico”.
Todos os indícios do inquérito apontaram para Wellington de Oliveira. E o crime teria tido duas motivações: o prejuízo que a vítima deu a ele e também ciúme.
O delegado explica que a prisão de Carlos trouxe grande prejuízo para o tráfico, comandado por Wellington. Contudo, o autor também estava com ciúme da vítima por conta de sua atual companheira, Laura Pinelli, e também de um possível interesse de Carlos por sua ex-esposa.
Isca
O delegado Cledson do Nascimento relata que, no dia do crime, Carlos Moraes foi vítima de uma emboscada. A jovem que estava com ele e foi atingida é prima de Laura. Então, Wellington usou Laura para atrair Carlos.
“A Laura pediu que Carlos e essa jovem, que é prima dela, fossem buscá-la na rodovia. Quando a vítima parou o carro no acostamento para esperar por Laura, foi surpreendido por Wellington e Dener, sendo executado. Possivelmente, outros traficantes estavam com os acusados”, afirmou
De acordo com o delegado, a jovem que estava com Carlos não sabia do plano da prima e não está envolvida no crime. Além disso, as investigações apontam que ela também não tinha conhecimento que Laura era companheira de Wellington.
A Polícia Civil pede para que quem tenha qualquer informação sobre Wellington Rodrigues de Ferreira de Oliveira e Laura Pinelli acione o Disque-Denúncia da Polícia Civil, por meio do telefone 197, ou ligar direto na CPJ, por meio do 3235-6500. O anonimato é garantido.
Arma
Um dos pontos da investigação foi a pistola usada no crime. A polícia constatou que os tiros que atingiram Carlos Alberto Pereira Moraes foram de uma arma da PM.
“Fizemos investigação e apuramos que tratava-se de uma arma que foi furtada ou roubada de um policial. Era usada por uma quadrilha de tráfico de drogas do Jardim Vitória e, possivelmente, foi emprestada pelos traficantes”, disse o delegado Cledson do Nascimento. Como a arma ainda não foi encontrada e pode haver mais participantes no crime, as investigações continuam.
Ainda fora das grades, Wellington, o Gordo, é de alta periculosidade
A Polícia Civil segue nas buscas por Wellington Rodrigues de Ferreira de Oliveira, 37 anos. Conhecido como Gordo, ele é apontado como chefe do tráfico, já cumpriu pena por latrocínio e é considerado de alta periculosidade.
“Ele é muito perigoso. Já cumpriu 13 anos por um latrocínio e integra uma facção criminosa”, destaca o delegado Cledson do Nascimento.
Os policiais quase conseguiram capturar Wellington, porém, ele conseguiu fugir na avenida Castelo Branco. O veículo usado por ele foi encontrado em Agudos.
De acordo com o delegado, as investigações apontam que o acusado estava ligado à quadrilha desmantelada no Jardim Vitória. Em fevereiro, 14 pessoas foram presas em grande operação da Polícia Civil. Com os criminosos, havia até armamento de guerra, como fuzis AR-15 calibre 556 e submetralhadoras.
“As investigações apontam que, além do Jardim Vitória, Wellington, o Gordo, comandava a área do tráfico no Geisel e Ferradura Mirim. Muitos dos homicídios tinham o aval dele”, finaliza o delegado.
Além de Wellington, sua companheira, Laura Pinelli, também é considerada foragida da Justiça.
Prisão
O outro envolvido no crime está atrás das grades. Dener Eduardo Lopes, de 33 anos, o Duda, foi preso pela Polícia Civil na última terça-feira, na rua Rafael Pereira Martini, no Jardim Redentor, próximo a um estabelecimento comercial.
Foi decretada sua prisão temporária e ele está à disposição da Justiça na Cadeia de Avaí por homicídio duplamente qualificado.