Cultura

Eva Wilma estrela peça teatral em Bauru


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Existem nomes que dispensam apresentação. Assim é a atriz Eva Wilma, que está em Bauru em cartaz com a peça “Azul Resplendor”, com sessões neste sábado (5) e no domingo no Teatro Veritas. A peça celebra 60 anos de carreira desta verdadeira grande dama do teatro, televisão e cinema nacionais e também seus 80 anos de vida. Eva Wilma recebeu a equipe do Jornal da Cidade, ontem à tarde, em Bauru, e falou sobre a peça que a traz à cidade, sua carreira e contou como quase filmou sob a direção de Alfred Hitchcock, em Hollywood. A seguir os principais trechos.

 

 

JC - Você comemora 60 anos de carreira com uma peça que fala sobre o “fazer teatro”. É uma feliz coincidência?

Eva Wilma – O projeto quem me trouxe foi o Renato Borghi (idealizador da montagem e um dos diretores). Ele fez uma viagem chamada “Embaixada do Teatro Brasileiro” em que levou textos brasileiros e trouxe outros de vários países. Este texto do Eduardo Adrianzén que ele trouxe do Peru, de Lima, o Borghi achou que só eu poderia fazer. São seis atores e eu interpreto uma atriz mais velha, aposentada, e o texto é adorável e me conquistou na hora. Quanto a esta história de 60 anos de carreira, eu tenho um produtor (André Mello) que trabalha comigo há 11 anos e é produtor executivo da peça, inclusive. Há dez anos, ele produziu o espetáculo no qual eu comemorava 50 anos de carreira e se deu conta, agora, que tinha estes 60. Não fui eu, foi ele (risos). 

 

JC - A peça tem um significado especial pelo tema.

Eva Wilma – O significado especial é a qualidade e humor do texto. Então, quando o André Mello descobriu que eu estaria fazendo 60 anos de carreira, eu falei “este texto dá para comemorar. Vamos comemorar, sim”. Eu gosto muito da proposta do autor, da nossa encenação, direção, de nós em cena. Estamos há nove, dez meses em cartaz. Estamos na segunda turnê, já fizemos São Paulo, Rio... E vamos comemorar aqui, domingo, a 100ª apresentação. Mais um motivo para festejar.

 

JC - O que o público bauruense pode esperar?

Eva Wilma - Eu acho o texto dos seis atores maravilhoso. O autor propõe a encenação de uma peça dentro da peça divertidíssima. O público ri muito e nós nos divertimos mais ainda. 

 

JC - Você chegou a ir para Hollywood fazer um teste para trabalhar com o diretor Alfred Hitchcock. 

Eva Wilma - Eu tive o privilégio de começar com o José Renato (Pécora), que foi o fundador do Teatro de Arena, e de trabalhar quatro vezes dirigida pelo Antunes Filho, que considero meu principal mestre. Um espetáculo dirigido pelo Antunes (Black-Out), no qual eu fazia uma cega, foi um sucesso estrondoso. Era uma peça policial de um autor, Frederick Knott, de origem inglesa e radicado nos EUA. Em São Paulo foram dez meses de casas lotadíssimas. No final, dois policiais entravam para salvar a cega, que era eu, e o produtor, John Hebert, que era também meu marido e é o pai dos meus filhos, conseguiu no consulado americano, em São Paulo, os uniformes dos policiais. O reconhecimento pelo sucesso foi tão grande que a embaixada fez um convite de 45 dias para irmos ver nos EUA teatro, cinema e televisão. Vimos coisas fantásticas de teatro, os estúdios de televisão e cinema. Almoçando no estúdio da Universal, um agente veio propor mostrar fotos minhas para o Hitchcock, procurava uma atriz latino-americana para viver uma cubana no filme “Topázio”. Eu estava voltando, mas ele gostou das fotos. Quando chegamos ao Brasil, ele pediu currículo, material filmado e, depois de um mês, mandaram me buscar para o teste. Foi uma experiência fantástica. Fiz o teste e vim embora por causa das crianças, era dezembro, estava perto do Natal. O projeto de filmagem parou por dois meses porque o Hitchcock teve uma gripe. Quando recomeçou, ele escolheu uma atriz alemã para o papel da cubana. Eu digo para me consolar que “Topázio” não é um dos melhores filmes do Hitchcock (risos). 

 

No palco da USC

 

Eva Wilma está em cartaz no sábado (5) e no domingo (6) com a peça “Azul Resplendor”, no Teatro Veritas (USC), com sessões, respectivamente, às 21h e às 19h.

 

A atriz que deixou os palcos no auge de sua carreira, vive só e reclusa e despreza o mundo do teatro. Porém, o inesperado acontece e o “destino” a faz encarar um retorno aos palcos. O motivo da volta só é revelado no final da peça. Eva Wilma divide o palco com os atores Guilherme Weber, Luciana Borghi, Luciana Brites, Felipe Guerra e Renato Borghi, que também dirige a montagem ao lado de Elcio Nogueira Santos. Escrito pelo peruano Eduardo Adrianzén, o texto busca um retrato do ofício do ator.

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