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Além da escola: alunos e educadores lutam por melhorias no ensino


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Esqueça as máximas negativas, aquelas que dizem que a educação formal não dá mais certo. Esqueça lamentações do tipo “a escola está em crise”, “as crianças dos dias de hoje já não aprendem”, “os bancos escolares já não dão mais conta de fornecer as ferramentas necessárias para atender às necessidades dos estudantes”.

 

Tudo isso pode ser real. Mas também acredite: há outra realidade que dá certo, um caminho aberto para que a educação seja exatamente o que os jovens brasileiros querem. E eles querem educação de qualidade. Um estudo profundo cujos primeiros resultados foram  divulgados há menos de um ano concluiu que educação é prioridade para 80% dos jovens brasileiros. Pelos dados preliminares da pesquisa feita pela Organização Ibero-Americana da Juventude (IAJ) com mais de 20 mil participantes, o jovem brasileiro coloca a qualidade da educação como prioridade e confia mais nas instituições que os outros jovens ibero-americanos. 

 

Geração crítica

 

Com o título “O Futuro já Chegou”, a pesquisa está sendo ampliada.  A intenção do Instituto IAJ é chegar a 150 milhões de opiniões de pessoas entre 15 e 29 anos que vivem em mais de 20 países ibero-americanos (de língua portuguesa e espanhola), o que representa 26% da população total desses países. E por enquanto, já se sabe que os jovens brasileiros são os  mais críticos e também os mais liberais em relação a temas controversos e os que mais priorizam a educação. 

 

E justamente pelo fato de os  jovens serem críticos e exigentes é que os modelos educacionais estão mudando. Hoje se encontra e se valoriza mais os profissionais que inovam, motivam, são criativos e que estão cada vez mais integrados com a sociedade e a região onde a escola está inserida, respeitando suas necessidades e trazendo até a comunidade para dentro da escola. 

 

Exemplos reais

 

Dificuldades há, mas há também profissionais das redes municipal e estadual que vão além de suas atribuições básicas e criam um envolvimento intenso com os alunos, dando a eles um aprendizado  não só em conteúdo, mas de vida. Há também o comprometimento de pais que auxiliam para melhorar a escola pública e chegam a construir mobiliário para alunos portadores de necessidades especiais. Isso sem falar dos projetos que, já na primeira infância, geram maior envolvimento dos alunos com atividades fora do currículo, como teatro e música. Alguns desses exemplos estão aqui.

 

Agradecimento de alunos por ‘ensinar a pensar’

 

“Agradeço por cada dia, desde o primeiro que cheguei nesta escola, por ter me ensinado a ver o mundo não somente com os olhos, mas também com a mente. Obrigada por me ensinar a pensar”, escreve Talita Romão dos Santos para a professora Elaine Mussi Hunzecher Quaglio. Elaine é a professora de Filosofia da Escola Estadual Professor Ayrton Busch, no Jaraguá, bairro da periferia da cidade. E Talita, sua aluna, aos 17 anos, está tão motivada com o ato de escrever que quer ser jornalista. 

 

Busca da verdade

 

Bruna Maciel, outra aluna de 17 anos, está encantada com o estudo da Filosofia. Quer estudar Direito no futuro, trabalha o dia todo e à noite vai para a escola. “É uma pena que em pleno século 21 algumas pessoas ainda falem que estudar Filosofia é desnecessário. Nas aulas de Filosofia aprendemos a ter pensamentos críticos, buscando a verdade sem aceitar de primeiro tudo o que nos é dito. É importante para que conheçamos a nós mesmos e para aprenderemos com ética a nos relacionar com o mundo, com o outro e com tudo o que nos cerca. A Filosofia nos ajuda a ter uma ideia do sentido da vida e qual o papel do ser humano, sempre com muito respeito ao próximo e nunca pensar só em si”, filosofa Bruna.

 

Motivação simples

 

Motivado também está Lucas Wesley, autor do texto “O Ser e o Sentimento”, escolhido como o melhor da escola e que estampava o mural para todos lerem na última semana. Atitude simples, parece corriqueira, mas que faz toda a diferença numa região onde “há muitos casos de alunos que abandonam os bancos e acabam envolvidos em drogas”,  lembra o vice-diretor da escola Hugo Leandro do Nascimento. E nesses casos, antes que o Conselho Tutelar vá até a família dos alunos que se evadiram e a situação se torne caso de Justiça, é o próprio professor e, às vezes até os funcionários, que vão trazê-lo de volta, procurando-o.”

 

Comunidade reconhece 

 

Seja na rede estadual ou municipal, as iniciativas estão sendo bem aceitas. Gina Sanchez, Dirigente Regional de Ensino, da Secretaria Estadual de Educação lembra que “a escola fazendo bem feito, a comunidade reconhece”. Para ela, a educação precisa trazer significado para a vida do aluno. “A escola é algo mais, é onde ele vai aprender o necessário, mas também onde ele sinta que está fazendo algo que o valorizará diante de toda a sociedade”. Ela acrescenta que também é muito importante a participação dos pais. “Educar não é apenas ensinar”, é uma continuidade de um trabalho que começa em casa, na família. E diante dos desafios modernos, cita que as escolas “cada vez mais interagem com a tecnologia. Seja com lousa digital, seja com laboratórios ou programas como o Acessa Escola. A tecnologia hoje nas aulas aproxima o aluno do mundo contemporâneo. O bom uso da tecnologia faz o jovem sentir que a vida dentro da escola é a mesma que lá fora”.

 

Estudo contínuo

 

A dirigente reconhece ainda que professores e diretores motivados são fundamentais. Por isso, “insistimos na formação continuada, semanalmente nos reunimos, fazemos trabalhos pedagógicos, divididos por segmentos e disciplinas”. Com seus 27 anos de experiência em todas as redes, municipal,  particular e estadual, ela lembra que o professor precisa sempre se reciclar. “Não tem como ser educador sem estudar continuadamente”.  E sentencia: “É preciso entender que a escola pública é de todos, diferente da particular, não é seletiva, tem um caráter democrático”.

 

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