Geral

Entrevista da semana: Jair José Marangoni

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

Ele é apaixonado por teatro, cinema, música e tudo o que envolve o universo cultural. Também adora viajar e fotografar, sempre ao lado dos amigos. A Entrevista da Semana de hoje conta um pouco da vida pessoal e profissional do diretor do Departamento de Ação Cultural da Secretaria Municipal de Cultura, Jair José Marangoni.

 

Nascido em Bauru, ele lembra da infância na Vila Cardia, onde cresceu ao lado dos primos e brincou de “guerra de mamonas” e “caçou” girinos  nas imediações do terreno que hoje abriga o Sesc.

 

Psicólogo por formação e com um amplo histórico de projetos culturais na cidade, ele está desde 2010 na Secretaria de Cultura e defende: “A cultura gera noção de cidadania e identifica deveres e direitos do cidadão”. 

 

Sobre si mesmo, ele diz: “Tenho uma amiga que me considera um caso a ser estudado, porque eu sempre consigo tirar alguma coisa boa de qualquer situação. É assim que eu me vejo”. Confira. 

 

 

Jair José Marangoni - Como você chegou à direção da Secretaria Municipal de Cultura?

Jornal da Cidade - Eu sou diretor do Departamento de Ação Cultural desde 2010, mas sempre estive envolvido com a cultura. Sou produtor cultural em Bauru desde a adolescência. Trabalhei em praticamente todas as livrarias, produzia exposições de artes plásticas, trabalhava diretamente com grupos de teatro... E, em 2007/2008, eu montei um café filosófico que ganhou fama na cidade, o “Segundas Intenções”. A partir daí, vieram outras produções, até que a Janira Bastos, que fazia o café comigo, foi convidada a assumir a Secretaria de Cultura. Ela assumiu e me convidou  para ser diretor, pela minha formação e produção cultural. Ela ficou por uns seis meses na Secretaria e o atual secretário, Elson Reis, me manteve no cargo.   

 

JC - Qual era a proposta do “Segundas Intenções”?

Jair - Era um bate-papo, às segundas-feiras, com duas amigas também muito envolvidas com a arte em geral: a Luciana Gonçalves e a Janira Bastos. A gente bolou um café para discutir ideias, várias delas. Precisávamos de um lugar e a Ju Machado, outra amiga, tinha o seu escritório de arte, e por quase dois anos a gente fez essa reunião lá com o nome de “Segundas Intenções”.  

 

JC - Qual é a sua formação profissional?

Jair - Sou psicólogo. Escolhi a faculdade por causa de um curso de vendas que eu fiz no Senac. Parte dele foi ministrado por meninas que faziam psicologia na Universidade Sagrado Coração (USC), onde eu estudei. Eu gostei da forma como o curso foi conduzido e fiz a faculdade. Já formado, eu me especializei em coaching, sou personal coach, que serve para a vida pessoal ou corporativa. 

 

JC - O seu gosto pela cultura vem desde a infância?

Jair - Sim. Eu sempre gostei muito e acho que fui muito estimulado por meus pais, que ouviam muita música popular. A qualidade das letras e a melodia das canções sempre me chamaram a atenção. Mais tarde, comecei a gostar de cinema e teatro e conheci pessoas envolvidas com a arte local. Na faculdade, eu também olhei para o teatro, inclusive um semestre do curso de psicologia foi voltado para a montagem de uma peça teatral, desde a produção, luz, direção e atuação. A vida foi confirmando a minha tendência ao artístico. 

 

JC - Como é o trabalho de um diretor cultural?

Jair - Eu trabalho com todas as manifestações culturais. A Secretaria atua em várias frentes, o que é muito legal. Dentro do meu departamento nós temos uma divisão de ensino às artes, onde a população tem aulas gratuitas de dança, circo, teatro, instrumentos musicais... Esta é uma vertente. Na outra estão os grandes eventos como shows, aniversário de Bauru, feiras... Isso tudo a Secretaria produz integralmente ou com parceiros. Além disso, trabalhamos com a Lei Municipal de Estímulo à Cultura, que gera diversos projetos. Organizamos o Carnaval, que eu acredito que está crescendo e se profissionalizando mais a cada ano.   

 

JC - Projetos novos?  

Jair - O mais novo deles é a Cia Estável de Dança. A prefeitura já mantinha a Orquestra Sinfônica Municipal e a Banda Sinfônica Municipal. E agora, junto com a Secretaria, criou a Cia Estável de Dança de Bauru, onde os alunos também recebem uma bolsa de estudos. De maneira geral, a cultura é fundamental para todo ser humano e, no município, ela é fundamental porque gera, entre muita coisa boa, noção de cidadania, além de identificar deveres e direitos do cidadão... 

 

JC - Viajar e fotografar são situações frequentes na sua vida? 

Jair - São. Eu viajo sempre que posso. Acabei de voltar de Florianópolis, ainda não conhecia a cidade, e foi fantástico. Um lugar lindo. Gosto de conhecer lugares novos, dentro ou fora do Brasil. O que eu acho importante mesmo é ter novas experiências, comer outros sabores, ver novos lugares, conhecer outras pessoas... Descobrir. No Brasil, meu lugar preferido é Búzios, já estive por lá umas sete vezes (risos). Gosto demais de São Paulo. Já estive em diversos lugares do Brasil e minha próxima viagem será para a Europa, onde tenho alguns amigos. Aliás, viajar com os amigos é fundamental para mim. No ano passado, por exemplo, fomos em grupo para Búzios e Minas Gerais. Fizemos a Estrada Real de carro e foi fantástico. Fiz mais de duas mil fotos. Fotografar é outro hobby, mas nada profissional. Ganhei um equipamento melhorzinho e fiz um curso com o Olício Pelosi. Posso dizer que estou melhor (risos). Na Secretaria, sou o fotógrafo dos eventos (risos).   

 

JC - Qual é a sua melhor foto?

Jair - Modéstia à parte, eu tenho muitas. Mas gosto de duas, em especial. Uma delas foi feita no Jardim Botânico de Bauru, no curso do Olício. Ele pediu para escolhermos uma cena para registrar. O pessoal havia acabado de molhar as plantas e eu consegui pegar uma gota perfeita pingando na ponta da folha de uma samambaia. Uma outra foi feita no Guarujá. Estávamos andando de carro, sob uma tempestade, quando passou um cara de terno e de bicicleta. Ele estava com uma capa plástica transparente e uma pasta. Eu achei a foto perfeita. Linda e muito significativa.    

 

JC - Quem é o Jair José Marangoni?

Jair - Sou um otimista irremediável. Tenho uma amiga que diz que eu sou um caso a ser estudado, porque sempre consigo tirar alguma coisa boa de qualquer situação. Eu me mantenho tranquilo e acredito que a minha missão é ajudar os meus amigos e as pessoas ao meu redor a localizar e identificar o seu melhor, a sua parte boa que, muitas vezes, eles nem enxergam. É assim que eu me vejo. 

 

JC - Religião.

Jair - Eu tenho um grupo de estudos bíblicos e me reúno com amigos às quartas-feiras para estudar passagens bíblicas e temas recorrentes. Isso já há muitos anos e é muito prazeroso. É uma passagem da minha vida que poucas pessoas sabem. Sou religioso, tenho formação protestante desde os 17 anos. 

 

JC - Infância. 

Jair - Eu nasci na Vila Cardia e tive uma infância muito interessante. Tenho uma tia que mora na rua Sergipe e o fundo da casa ela é o Sesc, hoje. Então a construção do Sesc foi uma aventura para a gente. Eu e meus primos brincávamos, fazíamos guerra de mamonas, caçávamos girinos nas lagoas formadas pela chuva (risos). Meu pai faleceu há um ano e a família se reaproximou depois de anos. Voltei a ter contato com os primos que agora moram longe. Estou muito feliz por isso.       

 

JC - Bauru.

Jair - Eu amo Bauru e dei “nota 10” para o prefeito porque sempre admirei o Rodrigo. Acho que ele é um empreendedor, um prefeito humilde que ouve a população e os seus parceiros das secretarias e tudo mais. Gosto muito do trabalho dele. 

Comentários

Comentários