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Ensino municipal promove inclusão

Dulce Kernebeis
| Tempo de leitura: 4 min

Um exemplo de como a comunidade interage com a escola: a equipe de funcionários da Emei Profª Maria Alice Seabra Prudente  criou um projeto para adaptação dos brinquedos do parquinho  para atender as crianças portadoras de necessidades especiais. De acordo com a diretora da unidade, Isabel Gimenez, uma cadeira infantil para bicicleta foi adaptada pela serralheria da Secretaria de Obras e colocada no gira-gira do parquinho da Emei para que o aluno Lucas Macedo, com paralisia cerebral, pudesse participar das atividades recreativas com seus colegas de turma com segurança. 

 

Outros brinquedos, como o balanço, também foram adaptados. “Sabendo que uma escola inclusiva é aquela que oferece condições reais para o  aluno se desenvolver, respeitando suas particularidades individuais e promovendo ações para o sucesso pedagógico, pensamos na melhor forma de adaptar os brinquedos para o aluno”, informa Isabel. “Ver o sorriso de alegria e satisfação do Lucas e dos pais foi a melhor recompensa”, frisa a diretora.

 

Música e teatro

 

Se a Secretaria de Obras participou da adaptação dos brinquedos, dois outros projetos do município mostram como pode haver uma integração além do currículo propriamente dito em várias outras áreas. Um deles  é o projeto “Escola vai ao Teatro”, iniciativa da Secretaria Municipal da Educação em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura. “O objetivo é popularizar a arte cênica como importante instrumento de educação, lazer e cultura, pois possibilita aos alunos o acesso à linguagem dramática que age diretamente na sensibilidade, instigando o espectador à reflexão sobre os preconceitos, mitos e medos de forma envolvente, contribuindo para o refinamento estético e a formação de valores’, diz Vera Casério, secretária de Educação do município. São oito peças teatrais e mais de oito mil alunos que vão participar ao longo do ano. O detalhe é que o projeto integra (via licitação) produtores da  área de teatro (pessoa física),  pessoas jurídicas, associações civis, cooperativas, que fossem de natureza cultural.

 

Vera, com mais de três décadas de experiência no magistério, faz questão de valorizar os projetos conjuntos, a cooperação. 

 

O outro é que faz com que os alunos da rede municipal de ensino descubram a Banda e a Orquestra mantida pelo município. Com audições nas escolas, o objetivo é dar início à educação musical dos alunos de nível infantil. Os pequenos adoram. 

 

Segundo o professor José Vitor Fernandes Bertizoli, responsável pelo projeto na Secretaria de Educação, neste ano as escolas se interessaram muito. “Quando a gente olha o cronograma, chega a ser difícil atender a todas as escolas porque a procura é bastante grande.”

 

Filosofia que faz a diferença para transformar

 

Ela poderia se chamar Maria, João, Flávio, Otávio, Rafaela, Valdinês, Luciana, ou qualquer um dos milhares de nomes dos professores das escolas públicas de Bauru e região. São vários os exemplos dos que se superam. Elaine Mussi Hunzecher Quaglio, a professora de Filosofia elogiada pelas alunas da E.E. Professor Ayrton Busch, no Jaraguá, é apenas um deles. Ela mostra que a profissão vale a pena e dá para ter alunos motivados.

 

 Ela tem 43 anos, três filhos já adultos e não é de família de educadores. Mesmo assim já na infância teve na mãe costureira e enfermeira e no pai mecânico o incentivo para estudar. “Em 1977, assisti com minha mãe um filme que ainda hoje me emociona ‘Ao Mestre com Carinho’. Aos 7 anos tinha certeza de que iria seguir o magistério”. Concluiu o magistério em nível técnico em 90, no Christino Cabral. De lá para cá não parou de estudar. É pós-graduada e tem mais de 3 mil horas de cursos de extensão universitária nas áreas de Educação e Filosofia. 

 

Para dar aulas, a escolha foi de coração: “Entre 98 e 99, em um desfile de 7 de setembro, fiquei emocionada ao ver as crianças desta escola desfilando... era um tempo difícil, no qual o bairro e a própria escola sofriam muita discriminação. Achei fantástico aparecer algo bom e vi que ali era o lugar pronto para transformações”. Não teve dúvidas: escolheu a E.E. Ayrton Busch e conta isso para todos os alunos “para que eles saibam que eu os quero muito”.

 

“Sou exigente com relação a postura e disciplina. Procuro realizar atividades que permitam ao meu aluno analisar e contextualizar questões que envolvam seu universo pessoal e coletivo e que o mesmo possa adquirir uma visão crítica e reflexiva”, complementa.

 

O segredo do sucesso: a escrita. “Sempre incentivei meus alunos a escrever. Erros? Sempre muitos, mas procuro alguma coisa positiva para enaltecer o que o aluno fez”, diz. “Dia desses corrigi muitas dissertações e encontrei muitos ‘nóis faiz’, então, de forma descontraída disse: ‘Gente, meus olhos são sensíveis, vocês precisam colaborar com eles’. Depois de um tempo escrevi na lousa: ‘Por favor, nóis não faiz nada, nós fazemos!’ E eles aprenderam de forma lúdica”.

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