Cultura

Pela primeira vez no Brasil, Soundgarden repassa hits em show

Por Giuliana de Toledo, Marco Aurélio Canônico e Cesar Soto | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

A banda americana Soundgarden, tocando pela primeira vez no Brasil, encerrou a programação do palco Onix, no festival Lollapalooza, com um show de pouco mais de uma hora e meia de duração.

Para compensar os anos de espera dos fãs brasileiros, o grupo liderado por Chris Cornell repassou hits de toda a carreira.

Do álbum "Superunknown", que completa 20 anos, veio boa parte do repertório. Além da faixa-título, entraram sucessos como "Fell on Black Days", "Black Hole Sun", "The Day I Tried To Live", "My Wave" e "Like Suicide" todos com o vozeirão de Cornell acompanhado por coro da plateia.

Do álbum mais recente, "King Animal" (2012), primeiro disco de inéditas em 16 anos, entrou "Been Away Too Long". Também veio deste disco a imagem ao fundo do palco. A foto de uma paisagem nevada, usada na capa do CD, foi o único cenário ao longo do show.

"Comprem, façam download ilegal, façam o que quiserem, mas não deixem de ouvir", disse o vocalista sobre o novo disco. "Fizemos esse álbum para vocês".

Outro destaque do repertório foi "Jesus Christ Pose", de 1991, do terceiro disco da banda de Seattle. Antes de cantá-la, Cornell contou a plateia que era uma escolha especial, pensando no público brasileiro. "Vocês esperaram muito tempo. Essa é para vocês."

Como nas edições chilena e argentina do Lollapalooza, na última semana, o grupo tocou com Matt Chamberlain na bateria. O baterista original, Matt Cameron, está atualmente em turnê com o também grupo grunge Pearl Jam.

Carismático e bastante falante, Cornell aproveitou também para tirar uma foto do público. Sacou um iPhone e pediu animação do público na hora do clique.

Apesar do show animado, por volta das 20h, meia hora antes de acabar, pelo menos um quarto do público já havia saído do local, antes lotado até as grades de contenção. A multidão se deslocou principalmente para a apresentação dos canadenses do Arcade Fire.

Quem foi embora mais cedo perdeu Chris Cornell correndo pelo corredor que divide a plateia para cumprimentar alguns fãs após cantar "Beyond The Wheel", a última da noite.

Jake Bugg

Uma das escolhas de Sofia deste Lollapalooza Jake Bugg ou Soundgarden? acabou sendo resolvida por faixa etária: quem tinha menos de 25 anos (especialmente as meninas, tanto as arrumadinhas quanto as roqueiras) foi ver o jovem violeiro inglês, que tocou no mesmo horário dos veteranos do grunge de Seattle.

E certamente não se arrependeu, pois viu um show elétrico, em que o inglês de 20 anos e voz anasalada mostrou destreza ao atualizar ritmos centenários como o country, o folk e o blues.

Bugg, que na última sexta visitou a favela de Heliópolis, onde fez um grafite e deu uma canja, a convite de uma ONG, é uma figura séria e compenetrada no palco fala pouco, sorri menos ainda.

Acompanhado de uma banda enxuta (baixo e bateria) e tão jovem e séria quanto ele, o cantor se mostrou indiferente à histeria juvenil, principalmente feminina, que o cerca talvez com medo de que ela seja comparada a das boy bands e de figuras como Justin Bieber.

Mas, diferenças musicais à parte, as semelhanças na idolatria são evidentes as meninas ficam no gargarejo gritando "Jake" e chorando, apaixonadas.

O repertório de 16 canções foi baseado nas músicas mais animadas de seus dois álbuns, "Jake Bugg" (2012) e "Shangri La" (2013).

Canções como "Seen it All" e "Two Fingers" tiveram seus refrães acompanhados em coro pelo público, assim como as baladas da noite ("Broken" e "A Song about Love") a primeira delas com Bugg sozinho ao violão.

A sequência final do show foi particularmente animada, com Bugg de guitarra em mão acelerando o ritmo com ótimas canções como "Taste it" e "What Doesn't Kill You".

Houve ainda uma homenagem a um de seus ídolos, Neil Young, com o clássico "My My, Hey Hey", antes do encerramento com a explosiva "Lightning Bolt".

AFI

A banda californiana AFI fez sua primeira apresentação no Brasil HOJE com a infelicidade de dividir o horário com o Pixies, que atraiu a grande maioria do público do Lollapalooza.

Mesmo com plateia limitada no palco Interlagos, o AFI, sigla para A Fire Inside ou "somos um incêndio por dentro", como descreveu o vocalista Davey Havok, fez uma apresentação movimentada e energética.

O repertório de 13 músicas foi do punk tocado pela banda na década de 1990 até o rock melódico pela qual ficou conhecida nos anos 2000.

Canções dos álbuns "Sing the Sorrow", de 2003, e de "Decemberunderground", que chegou ao topo da lista da Billboard em 2007, foram usadas na abertura e no encerramento do show, acompanhadas aos berros pelos fãs.

A banda arriscou perder a energia do público quando se aventurou pelo repertório mais desconhecido do início de carreira e pelos singles do disco "Burials", de 2013, mas o cover de "Just Like Heaven", do The Cure, voltou a animar.

Davey, com sua voz estridente e forte presença de palco, não parou um só segundo da apresentação de pouco mais de 50 minutos. Ele pulava e corria por todo o palco, e até se jogou no meio da platéia durante a canção "I Hope You Suffer".

O AFI pode continuar desconhecido no país, mas fez uma estreia memorável para seus poucos fãs brasileiros.


 

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