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Falta material reciclável e cooperativas tem pouco trabalho

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Há oito meses, faltava cooperativa para atender a demanda de materiais recicláveis em Bauru. Hoje, a realidade é outra. Com mais duas cooperativas instaladas no município recentemente, falta material reciclável e cooperados passam parte do dia com os braços cruzados. Conscientização da população no momento de separar o lixo seria crucial para mudar essa estatística, segundo a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). 

 

 

Em Bauru, são coletados 7.600 toneladas de lixo orgânico por mês. Deste montante, 40% poderiam ser reciclados. De acordo com um estudo realizado na cidade chamado gravimetria, 48% do material que vai para o aterro sanitário é passível de reciclagem.

 

Ainda de acordo com a Emdurb, o município recicla apenas 2% de todo o lixo recolhido, enquanto outras cidades de grande porte contabilizam 25%. O problema, contudo, afeta três cooperativas de Bauru. Em uma delas, a Cooperbal, localizada na Vila Dutra, o trabalho dos 20 cooperados terminou na hora do almoço na última quarta-feira.

 

“Meio-dia já estava todo mundo parado. A gente recebe dois caminhões de material reciclável por dia e hoje veio só um. O outro, me disseram que quebrou”, contou Norberto Souza Santos, que administra o local. 

 

Com 20 dias de trabalhos a cooperativa é a mais recente instalada em Bauru. Porém, é a única que tem esteira de triagem, cujo equipamento proporciona mais agilidade no processo de separação dos materiais. “Eu rodo aqui um caminhão por hora e mando apenas 5% de rejeito para o aterro sanitário”, reforça Santos. 

 

Por mês, a Emdurb recolhe 200 toneladas de coleta seletiva. São seis caminhões por dia divididos em partes iguais para as três cooperativas. O acordo, entretanto, foi firmado após um chamamento público, no qual a Cootramat, que está há 20 anos em Bauru, não compareceu devido a irregularidades na documentação. 

 

“Estamos concluindo a ata e vamos aguardar resposta para poder finalizar toda a documentação que falta”, explicou Valmir Moura, responsável pela Cootramat. 

 

Ele também vem enfrentando problemas com a falta de material reciclável. No fim da tarde, a entidade havia recebido apenas um caminhão da Emdurb e foi obrigado a encerrar o expediente mais cedo. “Paramos às 14h. Quem sai prejudicado com isso são os 28 cooperados que trabalham comigo. Hoje, calculo que a quantia mensal que é destinada a eles caiu R$ 500,00”, lamenta. 

 

Informação e conscientização

 

Informação e conscientização da população seriam a solução em médio prazo para que haja um aumento no número de materiais recicláveis em Bauru, é no que acredita Gisele Moreti, que presta auxílio à Coopeco, cooperativa instalada há seis meses no bairro Ferradura Mirim. 

 

“População precisa de informação. Bauru não sabe que existe cooperativa. Quando todos tiverem consciência de que é preciso separar o lixo orgânico para evitar contaminação é que as coisas vão melhorar, tanto para as cooperativas quanto, principalmente, para o meio ambiente”, frisa.  

 

Na opinião de Moreti, estender o itinerário na coletiva seletiva de Bauru também seria uma das soluções. “Mais dois caminhões para cada cooperativa já ajudaria muito”, completa. 

 

A Emdurb informou que teria estrutura para coletar mais do que recolhe hoje, mas que seria preciso que a população recicle mais. Por conta deste impasse, uma campanha será desencadeada para orientar que a população separe mais materiais recicláveis. 

 

O objetivo é dobrar o volume de resíduos coletados. Dependendo do resultado da mobilização, pode ser que haja crescimento na quantidade de recolha de materiais recicláveis feita pela Emdurb e, consequentemente, beneficie as cooperativas. 

 

Outro ponto positivo a destacar se houver resultado positivo na campanha é o aumento de sobrevida do aterro sanitário de Bauru para quatro anos. 

 

Mulheres são maioria no ofício

 

Unânime: nas três cooperativas de reciclagem instaladas em Bauru, a maioria dos cooperados é mulher. O dado curioso, porém, tem um motivo. 

 

“Os homens, geralmente, arrumam serviço em obras civis. Lá, eles podem ganhar de R$ 70,00 a R$ 75,00 por dia, valor difícil de conseguir na cooperativa”, explica Valmir Moura, da Cootramat. Dos 28 de seus cooperados, 23 são mulheres. 

 

Já na Cooperbal, dos 20 cooperados, somente cinco são homens. “Tudo o que envolve transporte de material com ferro e coisas do tipo, são eles que fazem. A triagem toda, geralmente, fica por conta das cooperadas”, explica o responsável pela unidade, Norberto Santos.

 

Na Coopeco, dos 22 cooperados que trabalham diariamente no barracão coberto de mil metros quadrados, 19 são mulheres. Assim como nas demais cooperativas, elas ficam responsáveis pelo setor de carregamento de papel, que exige menos esforço físico, além da triagem. 

 

Partilha

 

 Uma reunião realizada entre a Emdurb e os cooperados definiu como seria a partilha dos recicláveis entre as três unidades de Bauru. Atualmente, o órgão possui três setores a serem coletados no período da manhã, três à tarde e apenas um durante a noite. 

 

O material reciclado que for recolhido será dividido de forma igual entre as três cooperativas. Ficou estipulado, ainda, que será realizada uma revisão na partilha dos resíduos, em razão da publicação de novo edital de credenciamento público a ser promovido pela Emdurb, para atender o interesse em se credenciar das duas novas entidades. 

 

 

 

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