Foi detido pela Polícia Civil, por meio do Setor de Inteligência da Delegacia Seccional de Bauru, no final da manhã desta segunda-feira (7), no Núcleo Fortunato Rocha Lima, em Bauru, o adolescente de 17 anos acusado de matar o estudante Igor Alves, de 15 anos, que estava desaparecido desde o último dia 29 de março, um sábado, em Agudos (13 quilômetros de Bauru), quando supostamente havia sido sequestrado.
O jovem será levado para a Delegacia de Agudos, onde será ouvido pelo delegado Jader Biazon, que cuida do caso. O acusado confessou o crime com riqueza de detalhes.
Álbum de Família/Divulgação |
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Estudante Igor Alves, de 15 anos, foi morto a facadas |
Igor foi encontrado morto a facadas próximo a entrada da cidade. Com base no depoimento de um menino de 15 anos, a Polícia Civil descobriu que a história do sequestro, contada pelo amigo da vítima, de 17 anos, tinha como objetivo encobrir o crime cometido pelos dois.
Há um ano, o mais velho assassinou um empresário na cidade. Ele ficou internado, mas ganhou a liberdade no último dia 26, três dias antes de matar novamente.
A história
Conforme divulgado com exclusividade pelo JC, Igor foi visto pela última vez no sábado, dia 29, por volta das 5h30. Às 8h, a avó foi até a delegacia de Agudos, acompanhada de um amigo do jovem, de 17 anos, para comunicar que ele havia sido agredido por três homens armados com faca e obrigado a entrar em um Fiat Palio de cor verde.
O adolescente de 17 anos contou à polícia que ele e Igor passaram a noite em um bar no núcleo Mario Campezato com um grupo de amigos e que o sequestro ocorreu quando eles retornavam a pé para casa. Segundo a versão dele, o trio desceu do carro e passou a agredi-los sem qualquer motivo. Ele teria corrido, mas o amigo não teria tido a mesma sorte. A Polícia Civil iniciou as investigações e encontrou indícios de que o sequestro pudesse ser uma farsa.
“Nós apuramos que o Igor estava se desentendendo com a família. Foi criado desde bebê pelos avós, de idade avançada, que não admitiam o fato de ser homossexual. Ele estava com a mala pronta para deixar a casa dos avós”, conta o delegado Jader Biazon.
Além de uma eventual fuga de casa, a hipótese de homicídio também passou a ser considerada quando a polícia identificou contradições no depoimento do adolescente de 17 anos.
A primeira suspeita, segundo o delegado, recaiu sobre ele em razão do seu histórico criminal e pelo fato de ele e a vítima manterem um relacionamento amoroso.
Na segunda-feira, a Polícia Civil pediu a internação provisória do jovem por 45 dias. O mandado foi expedido pela Justiça de Agudos no dia seguinte, mas ele não foi mais encontrado.
“Nós continuamos investigando o caso e, ontem, conseguimos chegar ao coautor do crime, um adolescente de 15 anos, que está apreendido”, revela. Num primeiro momento, o adolescente negou envolvimento no sumiço de Igor. “Após algumas horas de interrogatório, e diante das evidências que foram apresentadas a ele, ele acabou confessando a participação”, explica Biazon.
O garoto contou ao delegado que, após ingerirem bebida alcoólica no bar e fazerem uso de cocaína, os três foram até uma plantação de pinus próxima ao acesso Richard Freudemberg com a intenção de manterem relações sexuais.
No local, o adolescente de 17 anos teria passado a esfaquear Igor no rosto e pescoço. “O adolescente de 15 anos disse que apenas efetuou alguns golpes de faca nos braços da vítima quando ela já havia sido morta”, declara.
“Ele alega que foi coagido a efetuar golpes na vítima para que se tornasse coautor e não denunciasse o adolescente de 17 anos”. No final da noite, o adolescente, que teve a internação provisória decretada, apontou o local onde o crime ocorreu. O corpo do estudante foi localizado e encaminhado ao Instituto Médico Legal de Bauru. No local, foi apreendido cabo da faca do crime. Lâmina não foi encontrada.
O delegado diz que seguem as buscas ao rapaz de 17. “O que causou revolta em toda a comunidade agudense foi o fato de que, somente um ano após ter matado cruelmente um empresário da cidade, o adolescente de 17 anos já foi posto em liberdade”.
‘Ando dentro de casa e ainda vejo ele’
“Ando dentro de casa e ainda vejo ele. Estou aqui sentado e posso enxergar”. É o que declara João Alves, 81 anos, logo após sepultamento do neto. Ele cuidava de Igor desde quando ele foi abandonado pela mãe, aos quatro anos de idade.
Com semblante cansado e ao mesmo tempo confuso, seu João tentava absorver a forma brutal com que o neto foi assassinado. “Já sinto muito a falta dele.”
Ainda muito abalada, a esposa de seu João, Benedita Alves, 68 anos, preferiu não falar com a reportagem. “Ela está muito mal, não consegue sair da cama e tão pouco comer”, disse a tia de Igor, Cláudia Cardoso, 42 anos.
Ela conta que o sobrinho teria firmado namoro há cerca de uma semana e dizia estar apaixonado. “O Igor foi na minha casa e me contou que estava apaixonado”.
“Um dia ele chegou até mim e disse: ‘tia, eu nasci assim’. Lembro-me que orientei ele sobre ter cuidado com quem sair”.
A preocupação da família quanto ao relacionamento de Igor, entretanto, aumentou ainda mais quando, na quinta-feira (27), um dia antes do desaparecimento, ele chegou em casa com marcas de agressão.
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