Novos fantasmas assombram a obra do viaduto inacabado. Em reunião para discutir o assunto, realizada na manhã de ontem, representantes da Caixa Econômica Federal (CEF) avisaram: não vão liberar a entrega de ligação entre a Vila Falcão e o Jardim Bela Vista sem um laudo técnico que ateste a segurança da estrutura do equipamento, que começou a ser construído em 1993.
A decisão foi tomada após declarações do engenheiro Onei Torquato Ferreira, diretor executivo da Bema Construções, empresa de Piracicaba, responsável pela obra. Em audiência pública realizada no dia 25 de março, na Câmara Municipal, ele afirmou que, no viaduto, “há fissuras, as lajes balançam e apresentam um grau de deterioração com comprometimento da estrutura”.
Para Onei, a situação seria corrigida por um dos serviços pelo qual a empreiteira deseja receber aditivo de R$ 1,5 milhão a mais. Na ocasião, ele argumentou que o trabalho é complexo e as equipes da Prefeitura de Bauru não possuem capacidade técnica para realizá-lo.
A colocação irritou o secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, que minimizou a decisão da Caixa. “Eles estão pedindo um laudo porque a empresa apontou a necessidade de uma pintura de impermeabilização. Isso poderá ser contratado junto a uma empresa especializada”.
Em 2008, por exemplo, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) apontou problemas no viaduto Mauá.
Mais caro
Na reunião de ontem, técnicos da Prefeitura de Bauru revelaram que, caso a empreiteira deixe de executar serviços complexos previstos no projeto - referentes ao sistema de drenagem e à junção entre os vãos do viaduto -, a contratação de nova empresa elevaria em 50% o custo das atividades restantes.
Como noticiou o JC no último sábado, quer a supressão de R$ 800 mil – do total de R$ 5,9 milhões no valor da obra - relativos a esses serviços. “Se formos fazer uma nova licitação, a estimativa é de que isso fique em R$ 1,2 milhão”.
O JC apurou que a CEF se comprometeu a, neste caso, manter o repasse dos R$ 800 mil ao município. O restante teria que ser arcado pela prefeitura.
“Por mais que demore mais, essa saída parece melhor que o aditivo de R$ 1,5 milhão pleiteado pela Bema”, apontou o vereador Fabiano Mariano (PDT), que acompanhou a reunião na manhã de ontem, na sede da Caixa.
Para ajudar, o órgão, que é gestor do contrato, se comprometeu a analisar toda a documentação necessária para nova licitação no prazo de 15 dias corridos.
De qualquer forma, caso isso aconteça, não há como prever quando o viaduto inacabado ficará pronto. Até agora, 73% do serviço já foi executado.
Linha dura
Nova reunião entre a Secretaria de Obras e a Bema acontece às 17h de hoje. Ao JC, Sidnei Rodrigues foi taxativo: “Caso a empresa não faça o que está no contrato e o que estamos propondo, vamos aplicar multa e tomar as providências necessárias para que ela fique impedida de participar de concorrências públicas”.
Na tribuna, o vereador Fabiano Mariano (PDT) afirmou que a ação exige cuidado, pois uma nova empreiteira, do mesmo proprietário da Bema, já atua em obra no município de Itajaí (SC). “Eles estão se precavendo caso a prefeitura tome essa atitude”.
No encontro desta terça-feira, o secretário de Obras vai apresentar a última contraproposta para a empreiteira.
“Queremos apenas que façam o que for essencial, o que nós não conseguiríamos fazer. Isso deve fazer com que eles abdiquem de R$ 400 mil do total. É um meio termo”, pontuou.
João Rosan |
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Empresa aponta fissuras e alto grau de deterioração de estruturas devido ao tempo em que a obra ficou abandonada, no centro |