Não tenho muito o que falar. Nem um tema específico eu tenho para escrever. Fiz este texto somente para publicar algo nesta página que, desde o último dia 25, ganhou cara nova. Os nomes de autores passaram a aparecer primeiro ? o que é ótimo para meu ego ? e o visual ficou muito mais clean. A cara nova fez bem a este espaço opinativo.
Na verdade, uma cara nova faz bem a todos. De tempos em tempos, precisamos nos reciclar. Ciclos chegam ao fim e nada melhor que uma mudança para nos fazer renascer.
Quando falo de reciclagem, não me refiro a nada transcendental, ritualístico ou mesmo de cernes mentais ou intelectuais. Não me refiro a apertar um botão miraculoso e renovar a alma. Estou falando do visual mesmo... do que está "por fora". Quem nunca levou um pé da ex e correu para uma academia que atire a primeira pedra!
Eu não tenho tempo para academia (eufemismo para "eu tenho toda a preguiça do mundo para academia"). Muitos são assim também. Logo, garantem uma cara nova em um passeio ao shopping. Esses trocam a dor que ficou após a partida do ex-namorado por aquela jaqueta que paqueravam há dias pela vitrine. Isso nada mais é do que garantir uma cara nova.
E o novo visual pode emergir de diversas maneiras. Não só na academia ou no consumismo. Qual mulher já não mudou radicalmente o cabelo, por mais lindo que ele fosse, simplesmente por estar enjoada do penteado? Se ficou melhor ou pior, não sei. O que sei é que ficou com uma cara nova.
Até a presidente Dilma Rousseff, que esteve recentemente em solo bauruense, mudou seu "visu". Foi da estudante de óculos de fundo de garrafa, passando por um cabelo avermelhado PT até chegar ao look de hoje. Se foi uma mudança por marketing eleitoral, não sei (na verdade, até sabemos). O que sei é que ficou com uma cara nova.
O problema é que, apesar de ter começado dizendo que as mudanças não precisam ser internas, este texto ganhou uma cara nova. Essas "reformas" são vazias quando refletem apenas na superfície. Nesses casos, o novo visual logo se torna o velho visual. O corpo volta ao que era antes; a roupa descolada fica ultrapassada; e o cabelo cresce e retorna exatamente ao penteado anterior.
A cara nova tem que nos trazer e fazer certo sentido. Só assim ela não envelhece de forma precoce. Espero que a cara nova desta página estimule mais e mais pessoas a darem suas opiniões. Espero que o novo visual deste espaço seja cada vez mais enriquecido por ideias contrárias que se duelem em debates construtivos. Espero que este meu texto seja contestado amanhã aqui mesmo. Porém, já me alonguei demais. E, enquanto espero tudo isso que está por vir, vou ali cortar o cabelo e já volto!
O autor é repórter do JC, jornalista responsável da TV USP Bauru e especialista em Linguagem, Cultura e Mídia