Muito me espantou ao ler a reportagem no dia 07/04 - "Falta material reciclável e cooperativas têm pouco trabalho". O texto nos conta que as cooperativas estão sem material para o trabalho diário. Li a reportagem pela manhã, no meu trabalho. Ao chegar em casa, qual minha surpresa? O material para reciclagem, que é coletado às segundas-feiras pela manhã no Parque Jardim Europa, ainda estava na lixeira. Não é a primeira vez. Pelo menos uma vez por mês tenho que recolher o lixo que não foi recolhido pelo caminhão. Isso para fugir dos catadores da rua, que remexem o lixo, levam o que querem, levam até o saco e deixam o restante do lixo espalhado. Em um trecho, a reportagem diz: "A população precisa de informação. Bauru não sabe que existe cooperativa. Quando todos tiverem consciência de que é preciso separar o lixo orgânico para evitar contaminação é que as coisas vão melhorar, tanto para as cooperativas quanto, principalmente, para o meio ambiente".
Discordo! Uma boa parte da população já tem consciência da necessidade de separar o lixo dentro de casa. Os meios de comunicação tratam o assunto com frequência. As escolas fazem esse trabalho com as crianças que levam a informação para casa (eu sei, sou professora). Não dá mais para bater na tecla que a culpa é dos moradores. O que acontece é que a população desistiu. Desistiu de lavar potinhos e caixinhas de leite e ver tudo sendo levado para o lixo comum. Cansou de ver acumular sacos de lixo em frente de casa. Desanimou ao ouvir da Semma que o jeito é levar o lixo a algum ecoponto. No meu quarteirão, só eu coloco o lixo para reciclagem na rua. Os vizinhos já desistiram. Acho que os catadores da prefeitura também desistiram de mim. Pra que vir até aqui pegar o lixo de uma só casa?
Meu lixo já foi notícia em Bauru. Ficou famoso quando através das redes sociais mostrei minha coleção de cinco grandes sacos de lixo que havia acumulado depois de semanas sem coleta. Coloquei um cartaz: "Por favor, nos levem. A prefeitura não veio nos buscar. Estamos abandonados há quatro semanas". Foi parar na TV Tem e na TV Unesp. De lá pra cá muita coisa mudou: o dia da coleta passou de quarta para quinta-feira, da tarde para manhã, a responsabilidade foi da Emdurb para Semma e eu desanimei... Não vou recolher o lixo, ele vai embora com o lixo comum amanhã.
Alessandra Prates Terrin Bastos