João Rosan |
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Síndico profissional Alessandro Martins: “Vou três vezes por semana lá e fico duas horas” |
Ele é o mediador de conflitos do condomínio. Quase como um super-herói, seu nome é invocado ao menor dos problemas. Tem som alto? Chama o síndico. Tem briga de vizinhos? Chama o síndico. O elevador quebrou? Advinha? Chama o síndico! Além disso, quem assume tal papel também faz malabarismos com as receitas e despesas. Com tantos encargos assim, começa a aparecer, em Bauru, a figura do síndico profissional.
A profissão já se difundiu de forma mais evidente nas Capitais. Porém, começa a chegar no Interior. Por aqui, é o caso de Alessandro Martins. “Eu era síndico do meu prédio, no Altos da Cidade, e tinha isenção de condomínio. Depois, comecei a fazer esse trabalho em um prédio no Centro também. Eu vou três vezes por semana lá e fico duas horas”.
Nesse período, ele avalia o livro de ocorrências, faz o cronograma mensal e a solução de conflitos. “Para fazer isso, é mais fácil como síndico profissional. É tudo mais imparcial. No meu prédio eu tenho amigos e eles também aprontam”, brinca Martins.
O síndico profissional deve ter treinamento e experiência na área. Cadastrado na Associação dos Síndicos Comerciais e Residenciais de São Paulo (Assosíndicos), ele conta que, em 2010, fez um curso intensivo que durou sete fins de semana na Capital.
Lá, foram passada estratégias de gestão financeira, individualização de gás e água, legislação, auto de vistoria dos bombeiros, manutenção, gestão empresarial, entre outros. “Hoje, não cabe apenas ter noções básicas de finanças e organização”, completa Alessandro Martins.
O Sindicato da Habitação (Secovi-SP) confirma que a tendência realmente é de que a função de síndico se torne cada vez mais uma profissão. “É uma terceirização. Sabe o que ocorreu com as administradoras de condomínios? É praticamente a mesma tendência”, explica Rodrigo Said, arquiteto e relações públicas da regional de Bauru do Secovi.
Sem interesse
Apesar da nova tendência, a figura predominante ainda é o tradicional síndico morador. Porém, a profissão de síndico começa a ganhar cada vez mais espaço à medida que há interesse menor dos próprios moradores em assumir tal função.
“O que percebo é que, nas reuniões para síndico, há um número cada vez mais reduzido de interessados. As pessoas não estão tendo mais tempo para assumir essa função. Então, abre essa possibilidade de mercado”, completa Said.
‘Síndico morador é bom por pensar no prédio’
Márcio Marques Guedes da Silveira resolveu assumir a função de síndico no prédio em que mora, na Zona Sul de Bauru, há aproximadamente 3 anos. Para ele, a maior vantagem do síndico que reside no condomínio é zelar pelo local onde vive.
“Quando eu assumi, o prédio tinha algumas deficiências. Síndico morador é bom porque pensa nisso. O que consigo de melhoria acaba sendo revertido para mim mesmo, porque, afinal, eu moro aqui. Eu penso muito na questão da segurança e já conseguimos evoluir bastante. Cito as câmeras de monitoramento e o sistema de fechamento mais rápido do portão”, relata.
Em relação à novidade do síndico profissional, Márcio faz a ressalva da oneração da folha de pagamento e nos reflexos da taxa de condomínio. Ele, que recebe a isenção do valor como contrapartida por ter assumido a função, afirma que “nem dá tanta dor de cabeça assim”.
Ajuda
“Eu conto muito com a ajuda dos funcionários, como faxineira e zelador. Muitos problemas eles ajudam a resolver. Outros eu resolvo por telefone. Então, nem é tão complicado assim”, finaliza.
Custo-Benefício
Geralmente, os síndicos tradicionais não ganham para exercer tal função. Alguns moradores até chegam a ter determinado salário, entretanto, a maioria fica isenta da taxa de condomínio. Então, o que justificaria engrossar a folha de pagamento para contratar um profissional?
“Acredito que a imparcialidade é a maior vantagem. Como a pessoa não mora ali, tudo é mais impessoal”, destaca Rodrigo Said, do Secovi.
Outro ponto importante é a capacitação e experiência na solução das demandas administrativas do condomínio. “O profissional deve ser qualificado e, assim, saber escolher soluções boas e com preços bons. Isso também influencia no valor do condomínio”.
Quanto cobra?
A média que um síndico profissional cobra é R$ 2,5 mil. Porém, como é uma modalidade nova, é comum o preço ser negociado justamente para não “inchar” a taxa de condomínio. No caso do residencial que Alessandro Martins é síndico profissional foi feito um acordo que não “pesasse” no bolso dos moradores.
“Não cobro os R$ 2,5 mil lá. Então, acaba não ficando pesado aos moradores. Se houvesse o síndico morador, ele teria a isenção da condomínio. Como não tem, não há esse valor para ser dividido entre os moradores. Assim, eles acabam pagando só um pouco a mais pelo meu serviço”, finaliza Martins.
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