As projeções de crescimento de um país são realizadas (ou deveriam ser) baseadas em modelos econométricos. A partir da combinação de alguns indicadores, é possível projetar qual será o tamanho deste crescimento. Acontece que dependendo do critério e da leitura feita, os números nem sempre são convergentes.
Por exemplo: as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro divulgadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) estão um pouco acima daquelas realizadas pelos analistas do mercado interno brasileiro. Enquanto os economistas, diria "domésticos", apontam para nada além de 1,63% de crescimento para este ano, o FMI projeta 1,8%.
Na prática, mesmo havendo embasamento técnico, são leituras e apostas. Tem peso expressivo para medir o desempenho econômico o controle do setor público, portanto, a capacidade de o governo em todas as suas esferas gerar excedentes para investimentos. Também pesam o controle da inflação e, naturalmente, as ações para conter a escalada de preços; tem peso o desempenho externo, no caso a pressão sobre o câmbio, e tudo isso deve ser medido à luz do apetite do consumidor e do setor produtivo interno, entre outras variáveis.
O controle inflacionário é o maior desafio e as ações na direção deste controle são as que mais impactam na queda do crescimento econômico. O foco na política monetária, e com ela elevação dos juros, mata o crescimento no ninho. Juros maiores estimulam o adiamento do consumo tanto pela via dos aplicadores de recursos, como dos tomadores de recursos. Sem consumo as vendas caem ou há mais dificuldade em vender, a economia passa a patinar. Gera um ciclo de desconfiança e, dependendo da dose aplicada, pode engessar a economia.
Ainda falamos em crescimento, em ritmo menor, mas crescimento, representando desaceleração e não recessão. Isso não gera pessimismo exagerado no mercado, mesmo assim é fato que em tempos de copa do mundo no país (e perda de foco na produção) e eleições presidenciais que se aproximam, geram dúvidas quanto ao futuro do país e adiam decisões importantes na direção dos investimentos.
Considerando que os números não convergem, faça sua própria leitura e sua aposta. Independentemente do patamar que irá projetar, o certo é que o crescimento não será robusto, lamentavelmente.
O autor é economista e articulista do JC