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Água: a fonte está secando

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 2 min

Só percebemos o valor da água depois que a fonte seca. Este provérbio popular resume muito bem o que as pessoas enfrentam no dia a dia com a escassez do precioso líquido em bairros de Bauru e da maior parte das cidades brasileiras. O colapso do Sistema Cantareira acendeu o sinal vermelho na Capital e região metropolitana. Já se discute racionamento enquanto São Pedro não manda chuva. Só recorrendo aos céus para a solução do problema emergencial, enquanto a estiagem continua o assunto ganha discussões acaloradas em rede sociais e na imprensa. Em breve, será tema nos palanques das eleições ao governo do Estado, com tempero da melhor demagogia que a nossa classe política tem competência.

A água é muito importante para a sobrevivência humana, dizem até mais do que petróleo, mas não muito levada a sério e só notada quando ocorre uma queda pontual no fornecimento para as residências. Ainda não acordamos para o problema. O desperdício é diário: morador lava calçada despejando milhares de litros de água tratada, companhia de saneamento demora para consertar buracos e, claro, o mau planejamento na expansão da rede na maior parte dos municípios.

Em Bauru, por exemplo, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) é a bola da vez dos questionamentos e foi tema na campanha eleitoral se deveria ser privado, municipal ou estadual. Na vizinha Marília, falta de água é crônica, já levou a administração municipal decretar regime de urgência. Os moradores de bairros periféricos são obrigados a conviver com a escassez. Até bispo entrou na polêmica na tentativa de sensibilizar as autoridades públicas a buscar uma solução para o problema. Nesta semana, um morador decidiu protestar na Câmara mariliense com uma corda pendurada no pescoço. Na região, o problema não é diferente. As autarquias municipais não têm recursos próprios para investimentos em novos reservatórios, enquanto prefeitos teimam em manter tarifas irreais com fins eleitorais. O sistema precisa de ser planejado com folga de 20 a 30 anos. E tem custo.

O índice de perda do que se capta e trata pelas companhias de saneamento beira a 40%. Uma grande parte fica pelo caminho, nos encanamentos mal dimensionados ou pela falta de estrutura básica. Diria, sem sombra de dúvida, que o abastecimento de água é hoje um dos piores problemas na administração pública brasileira. Não é levado a sério, só há medidas paliativas para "enxugar gelo" e sem uma visão abrangente de que o produto pode faltar no futuro.

A cidade de São Paulo já planeja bombear água de rios distantes em mais de 100 quilômetros para suprir a demanda da metrópole. Há regiões do Estado que não terão condições de desenvolvimento no futuro pela escassez de água para o consumo humano ou para manter a indústria e agricultura. Os mananciais estão esgotados. Como disse Thomas Fuller: "Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água".

O autor é editor regional do JC

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