Sem ainda sinais de uma recuperação mais firme, a indústria não aumentou o número de horas pagas a seus trabalhadores em fevereiro o que poderia ser um primeiro sinal de uma retomada do emprego no futuro.
O indicador ficou estável na comparação com janeiro. Em relação a fevereiro de 2013, as horas destinadas à produção caíram 2,1%, puxadas principalmente pelo fraco desempenho da indústria paulista que contratou 3,2% menos horas de seus trabalhadores, o principal impacto negativo para o índice do país.
As horas pagas sinalizam a tendência do empregos nos próximos meses. É que, primeiro, para ampliar a produção os empresários lançam mão do pagamento de mais de horas extras.
Só quando sentem que a melhora da demanda é mais consistente é que as empresas abrem novas vagas.
Compensar perdas
Para Rodrigo Lobo, técnico do IBGE, a produção da indústria nos dois primeiros meses de 2014 reagiu, mas o suficiente apenas para zerar as perdas do final de 2013. No primeiro bimestre, a alta de 4,2% compensou a perda da mesma magnitude acumulada em novembro e dezembro.
Primeiro, diz, os empresários esperam "um movimento mais continuado" de melhora da demanda para ampliar a produção, que se dará inicialmente pelo aumento das horas extras.
"Só depois que o pagamento das horas extras chegar a um determinado limite é que as empresas vão começar as contratações. Isso não se nota ainda", diz.
Sem sinais de retomada da produção e a expectativa de analisas para um pequeno recuo em março, o emprego na indústria tende a patinar nos próximos meses.
São Paulo
No caso do emprego, São Paulo, maior parque industrial do país, também correspondeu ao principal impacto negativo para a indústria.
No Estado, o número de empregados do setor caiu 3,2% em fevereiro na comparação com igual mês de 2013 acima do recuo de 2,1% da média nacional.
Segundo Lobo, a produção avançou menos em São Paulo e a retomada da indústria em fevereiro do ano ocorreu de modo mais pontual, atingindo alguns setores com menor peso no Estado, como a indústria extrativa e a produção de televisores e celulares.