O Exército matou na manhã deste sábado (12) um suposto traficante no Complexo da Maré, na zona norte do Rio. Em nota, o Comando da Força de Pacificação, que ocupa o local, informou que o suspeito foi atingido após resistir à prisão e trocar tiros com militares.
De acordo com o major Alberto Horita, por volta das 8h uma patrulha motorizada se deslocava pela Vila do Pinheiro, uma das favelas do Complexo, quando, na avenida do Canal, avistou dois homens que tentaram fugir e dispararam tiros na direção da tropa.
Os militares reagiram e um homem, identificado pelo apelido de "Parazinho", foi baleado e morreu no local. O outro conseguiu fugir com as armas.
Os moradores, em protesto, fecharam a Linha Amarela e a avenida Brasil, com pedaços de pedras e barricadas de fogo. Na Linha Vermelha, chegaram a atirar óleo na pista. A manifestação terminou após intervenção de policiais militares, que liberaram as vias. A situação, porém, ainda é tensa na região.
Moradores retirados
Em protesto à desocupação do terreno da Oi, que terminou em violência na manhã de sexta (11), um grupo de 100 pessoas chegou na tarde do mesmo dia e passou a noite em frente à sede da Prefeitura do Rio.
As pessoas que ocupavam o terreno dormiram sobre pedaços de papelão, ou sentados em cadeiras de praia sob uma lona improvisada, doada por moradores da região, segundo eles. Eles também receberam doação de comida e água. Os manifestantes, que não estão formalmente ligados a nenhum grupo sem-teto, dizem que só vão sair do local quando tiveram uma solução definitiva para a falta de moradia.
"Depois que os leões tiraram a gente da jaula, a gente veio para cá. Se fosse uma retirada pacífica, a gente negociaria, mas como chegaram agredindo, viemos para cá. Só vamos sair quando tivermos uma solução de moradia", disse Ed dos Santos, um dos líderes do grupo. Entre os manifestantes, estão famílias inteiras, com crianças.
Apesar do desconforto a única comodidade do grupo era assistir a uma TV ligada à rede de luz, a Juliana de Oliveira, 18, dona do aparelho, diz que vai ficar morava com a avó na Mangueira até o último domingo, quando foi para o terreno desocupado na sexta-feira. "Ficamos mais tempo acordados do que dormindo, mas vou ficar, apesar da dificuldade."
A ação policial para remover os ocupantes de uma área da empresa de telefonia Oi no Engenho Novo, zona norte do Rio, terminou em um conflito que se espalhou por várias ruas do bairro na manhã de sexta-feira. Carros, ônibus e caminhões foram incendiados, três agências bancárias foram depredadas e dois supermercados, saqueados.
Ao menos 20 pessoas ficaram feridas, entre elas três crianças e nove PMs. Cerca de 30 pessoas foram detidas 21 delas participavam do saque a um supermercado. A operação para retirar os cerca de 5.000 invasores, na estimativa da polícia, começou por volta das 4h, quando cerca de 1.650 policiais militares entraram no terreno. O efetivo foi maior do que o empregado há duas semanas, quando cerca de 1.300 policiais iniciaram a ocupação do complexo da Maré.
Invasores reagiram atirando pedras, paus e coquetéis molotov. Os policiais revidaram com bombas de efeito moral, spray de pimenta e balas de borracha. Tiros de arma de fogo foram ouvidos.
Com 50 mil metros quadrados, o terreno tem três prédios, que estavam desocupados. Há cerca de duas semanas começou a receber invasores, a maior parte deles vindos das favelas de Mandela, Manguinhos e Jacarezinho. Em todos os andares, inclusive na cobertura, foram construídos barracos.
Na manhã deste sábado (12), policiais militares e agentes da Guarda Municipal acompanhar, apesar de longe, o protesto em frente à sede da Prefeitura que, procurada, não se manifestou até agora sobre o protesto.
Fernando Frazão/Ag. ABr |
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O Comando da Força de Pacificação nformou que o suspeito foi atingido após trocar tiros com militares |
