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Em fevereiro, como é normal, as temperaturas estavam altas. Mas especialmente este ano, o verão foi considerado atípico. Estávamos enfrentando, à noite, na hora de dormir, por volta das 23h, temperaturas que chegavam aos 35 graus. Ninguém conseguia ficar dentro de casa que dirá dormir.
Em 25 de março, um mês depois, amanhecemos com temperaturas médias de 15 a 17 graus. Sendo que a madrugada chegou até a registrar 10 graus. Abril começou com o famoso veranico, temperatura alta por mais de dez dias, na casa dos 33 graus.
Na última quarta-feira, tivemos uma chuva repentina e típica de verão, com ventos fortes (mas já estamos no outono, não é mesmo) e a meteorologia anuncia chegada de novas frentes frias. Ontem, voltou a chover à tarde.
Você sai de casa com trajes leves e, poucas horas depois, toma susto com a mudança brusca da temperatura? Ou o contrário? Se sai com trajes para meia estação pela manhã, por volta do meio dia está implorando por um ambiente com ar-condicionado, não é mesmo?
Há corpo que aguente? Qual o impacto disso na nossa saúde?
A resposta é riscos e mais riscos. Como consequência “aumentam os atendimentos de crianças e idosos com problemas respiratórios”, diz Carlos Sacomandi, médico da Secretaria Municipal de Saúde. “Nos hospitais também ocorrem aumentos do número de internações pelas mesmas causas”, pontua. A imunidade é afetada, processos alérgicos se instalam, aumentam os casos de asma e rinite, sem falar nas famosas gripes. Mas como prevenir?
Círculo vicioso
“Mudanças bruscas de temperatura são inimigas do sistema respiratório”, diz Carlos Sacomandi . O que acontece é que a alteração climática “provoca uma irritação na mucosa que reage produzindo muco, na tentativa de se proteger. Esse muco estimula o mecanismo da tosse”, explica.
A tosse por sua vez também provoca a “irritação da mucosa respiratória devido ao traumatismo provocado pela passagem de ar em alta velocidade. Forma-se um círculo vicioso: irritação provoca tosse e tosse provoca irritação.”
Quem sofre mais
Os extremos da vida são os mais prejudicados. As crianças, por terem as vias aéreas com calibre pequeno, têm facilidade de obstrução das mesmas pela secreção, que agem como rolhas. “Isto favorece muito o desenvolvimento de pneumonia.
Uma outra complicação comum nessa época do ano para crianças é a bronquiolite, que é um processo inflamatório das vias aéreas mais periféricas e que tem menor calibre que as demais”, explica o médico.
Já os mais velhos sofrem bastante por terem, “com frequência, os pulmões com algumas sequelas do tabagismo ou infecções prévias, o que acarreta uma capacidade de defesa frente aos agentes agressores, diminuída. Com isto, são mais propensos à infecções respiratórias virais ou bacterianas”.
A prevenção e o sono
É normal com esta variação de temperatura acordarmos com a sensação de que mal se dormiu. Especialmente se temos acessos de tosses, ou se a noite for muito quente. Deita-se mais tarde, acorda-se mais cedo.
A cama fica nitidamente com ar de que se “rolou a noite toda”. E depois do almoço, bate a comum preguiça, vontade de voltar para a cama, repor as horas mal descansadas durante a noite.
Para o médico Carlos Henrique Pereira Martins, otorrinolaringologista e especialista em Medicina do Sono pela Unifesp – Escola Paulista de Medicina, especialmente nas noites em que as temperaturas altas batem recordes “a gente quer dormir dentro da geladeira”.
Resultado: quem pode abusa do ar-condicionado e até dos gelados. E para uma boa noite de sono “o nosso corpo precisa estar em condições ideais para cumprir a sua função fisiológica que é dormir. Para isso, precisamos de uma boa temperatura e umidade ambiental. Nâo só à noite, mas também no transcorrer do dia”.
Confira o que ele tem a a dizer:
Idosos e crianças
“Via de regra, a maioria das crianças tem sono adequado, mas é importante que os pais respeitem a necessidade do sono da criança que necessita mesmo de mais horas, portanto devem ir dormir mais cedo que os pais. Já os idosos sofrem mais, o calor, do jeito que está, insuportável, deixa a pressão arterial mais baixa nos mais velhos e o idoso tende a ficar mais desidratado. Os extremos provocam dandos maiores aos idosos por apresentarem uma labilidade (instabilidade) física maior, pode correr sim, um AVC – Acidente vascular isquêmico ou uma isquemia transitória”, lembra o médico.
Alergias e ventilação
Ventiladores diretamente voltados para a face ou para as costas durante a noite, podem representar riscos. “Por que existem pessoas que têm problemas alérgicos, então com isso, estas terão mais problemas respiratórios”, lembra o otorrinolaringologista. Por isso ele recomenda uso dos umidificadores de ar quando a umidade chega abaixo de 70%. E se possível manter “portas e janelas abertas, ou pelo menos abertas parcialmente, ajuda”.
Quartos fechados ou escuros, cortinas que bloqueiam a passagem do sol durante o dia “provocam uma diminuição na troca de ar, acho isso ruim”.
Banhos confortáveis
Para o especialista não há necessidade de um banho quente demais quando houver diminuição da temperatura e nem gelado quando há excesso de calor.
“O banho deve ser na temperatura ambiente, confortável”, lembra Carlos Henrique Pereira Martins. Em caso de temperaturas altas, se a pessoa não for tomar banho “deve molhar alguns pontos com água fresca, como, por exemplo, os pulsos e as têmporas (pontos com artérias superficias). Isso ajuda, sem dúvida e o efeito refrescante é rápido. Mas um banho completo é melhor e mais confortável”.
