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Vargas nega ter sido pressionado pelo partido a renunciar |
Investigado por suas ligações com um dos pivôs da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, o deputado federal André Vargas (PT-PR) afirmou que renunciará hoje a seu mandato na Câmara.
Declarando ter sido “condenado” sem provas pela imprensa e sugerindo que as “12 mil gravações” da operação da PF ainda têm muito a revelar, o petista havia sido isolado dentro do próprio PT, que o pressionava a renunciar.
“São 12 mil gravações. Tem muita gente lá. Tem muito empresário e a imprensa não trata as pessoas como supostamente envolvidas”, disse ele ontem ao comentar sua decisão. Questionado se poderia revelar essas outras pessoas, respondeu: “Não sou desses”.
“Quem teve acesso aos meus (documentos que o citam), teve acesso a tudo. Reconheço que sou vice-presidente da Câmara e entendo que deveria ter sido mais prevenido. Nunca deixei de defender meus companheiros.”
Pressão
Vargas nega ter sido pressionado pelo PT a renunciar, mas admite que nem todos ficaram do seu lado. Na semana passada, Lula cobrou explicações e afirmou que o PT não poderia “pagar o pato”.
“Acho que minha renúncia vai ajudar a explicar o que é essa Operação Lava Jato. Vai ficar claro que eu não tenho nada a ver com isso. Já vi os autos. Eu já li as mais de 8.000 páginas, e o que tem de destaque até hoje é um jatinho e um projeto da Labogen que acabou por não acontecer.”
A Lava Jato mostrou troca de mensagens entre o petista e o doleiro Alberto Youssef, apontado pela PF como um dos coordenadores de um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões.
Em algumas mensagens Vargas trata de contrato no Ministério da Saúde que interessaria a um laboratório ligado ao doleiro, a Labogen.
Vargas também fez uma viagem de férias com a família ao Nordeste num jatinho cedido por Youssef. Ele também apareceu nos grampos da PF cobrando de Youssef por serviços que teriam sido prestados por Milton Vargas, seu irmão.
O presidente do PT, Rui Falcão, disse que já havia aconselhado Vargas a renunciar para preservar o partido, mas foi pego de surpresa pela decisão. Durante a tarde de ontem, Falcão chegou a fazer uma reunião de uma hora e meia sobre o caso. Pouco depois, Vargas ligou ao dirigentes para avisá-lo da renúncia.
