Bairros

Cabos furtados ligariam Bauru a Avaí

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.

Na última sexta-feira, entre vários outros registros, 140 metros foram furtados no Pousada 2

De quinta até ontem,  quatro quilômetros de fios foram furtados de uma única empresa em Bauru. Os casos sequenciais aconteceram em endereços distintos. A situação engrossa uma estatística preocupante. Segundo a empresa vítima, de janeiro até ontem, ela já teve 34 quilômetros de cabos furtados.

Todos os furtos recentes ocorreram em pontos na operadora Telefônica/Vivo, o que deixou parte da rede móvel e fixa instáveis.

Em dois dias, 622 metros foram levados (veja no quadro ao lado). Ao verificar outros pontos, descobriu-se o furto de mais 3,5 quilômetros de cabos (leia mais abaixo).

Em nenhum deles, houve flagrante, mas, preocupadas com a situação, Polícia Militar (PM) e Polícia Civil iniciam um trabalho junto à empresa de telefonia.

A quantidade de fios furtados este ano realmente é significante. Para se ter uma ideia, os 34 quilômetros de cabos levados da empresa já representam quase a distância de Bauru até Avaí ou até Duartina e já se aproximam do total referente ao ano passado inteiro, quando 41,7 quilômetros de cabos foram alvos de furto.

A concentração das ocorrências na zona Noroeste de Bauru têm chamado a atenção da PM. “Temos nos reunido, a cada três meses, junto às empresas para montar um esquema de policiamento. E são sempre os postes localizados em pontos ermos ou próximos às rodovias”, detalha o coordenador operacional do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), major Alan Terra.

Descoberta tardia

Um dos grandes problemas nesses casos é a demora em descobrir o crime. De acordo com o major, como as empresas não possuem dispositivos de alerta, o crime é sempre descoberto dias depois. “Isso tudo dificulta nosso trabalho, até porque existem postes em todas as ruas da cidade”.

Sem o flagrante, o crime acaba muitas vezes ficando impune. “Acabamos dependendo do flagrante. Todos os casos são investigados, mas é difícil chegar aos autores. O fio, muitas vezes, é queimado na hora e vendido pouco tempo depois”, aponta o delegado seccional de Bauru, Ricardo Martines.

Ele ainda completa que, quando se chega ao possível receptador, não tem como comprovar por falta de identificação no cabo. “Temos materiais aqui que foram apreendidos e nunca encontramos as vítimas”, finaliza.

Quem flagrar furtos, pode fazer a denúncia pelos telefones 190 ou 181. O anonimanto é garantido em ambos os casos.

Situação preocupa e polícia já até orienta mudança no material do fio

Outro ponto importante colocado pelo major Alan Terra, do 4º BPM-I, é em relação ao valor atrativo de mercado que esse material possui. Segundo o JC apurou, cada quilo de cobre pode ser revendido a um preço mínimo de R$ 10,00.

Alumínio

A dificuldade em coibir esse tipo de crime chegou a um nível que a polícia passou a orientar a troca do material dos cabos. “Orientamos as empresas no sentido de investirem em cabos com outros tipos de materiais, menos atrativos que o cobre. Algumas outras empresas de energia, por exemplo, têm usado alumínio. Existe ainda a fibra ótica. A alta tecnologia pode ser cara, mas evita prejuízos maiores”, frisa o major Alan Terra.


Em 15 ocorrências registradas ontem, foram levados mais 3,5 quilômetros

Em nova vistoria após ter verificado que, em apenas dois dias, ladrões levaram mais de 600 metros de cabos, a empresa descobriu que a situação foi ainda pior. Em 15 boletins de ocorrência registrados ontem, foram notificados os furtos de 3,5 quilômetros de cabos.

O maior volume foi levado da SP-225, onde foram furtados 1.720 metros. No quilômetro 347 da Rondon, 650 metros foram levados pelos ladrões.

Outros bairros que registraram furtos foram a Vila Edson Francisco, Quinta da Bela Olinda, Jardim Ivone, Santa Cândida, Vila Falcão, Jardim Terra Branca, Jardim Vânia, Jardim Pagani, Parque Roosevelt, Parque Jaraguá e Pousada da Esperança 2.

Além da grande quantidade de cabos furtados, ambém foi registrada uma tentativa no Jardim Ivone. Lá, os cabos chegaram a ser cortados, mas não foram levados pelos criminosos.

Na grande maioria dos casos, os serviços prestados pela empresa de telefonia ficaram prejudicados.


No Estado

De janeiro a 13 de abril de 2014, segundo dados da Telefônica/Vivo, foram furtados 979,3 quilômetros de cabos telefônicos da operadora em todo o Estado de São Paulo. Desse total, 3,49%, ou seja, 34 quilômetros, são referentes à cidade de Bauru.

Em 2013, a situação não foi tão diferente. Foram 2.025 quilômetros de cabos furtados em todo o Estado. Desse total, 2,06%, ou seja, 41,7 quilômetros foram registrados em Bauru.


Reparos

Por meio de nota, a Telefônica/Vivo informa que, assim que o furto é detectado, as equipes técnicas realizam os reparos no menor prazo possível. Em todos os casos, a empresa registra boletim de ocorrência.

“A empresa, com apoio das autoridades da área de segurança, adota  medidas de prevenção”, resume.

Além disso, a operadora diz que coloca à disposição da população o telefone 0800-144444 para receber, com total sigilo, denúncias específicas sobre furto de cabo.

 

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