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RS: pai nega participação em morte de menino de 11 anos, diz advogado

Folhapress
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Reprodução Facebook

Bernardo Boldrini ficou desaparecido por dez dias antes de morrer

O pai de Bernardo Boldrini, 11 anos, encontrado morto no Rio Grande do Sul se diz inocente e está disposto a lutar para provar que não teve participação no crime, segundo um advogado que assumiu provisoriamente o caso.

O advogado Andrigo Rebelato, 36 anos, é primo de Leandro Boldrini, 38 anos, suspeito de participação na morte do filho. Os dois se reuniram na prisão para discutir detalhes da defesa.

Leandro foi preso na segunda-feira (14) junto com a madrasta do menino e uma outra mulher sob suspeita de envolvimento no assassinato da criança. A reportagem não cita o nome da madrasta e da outra mulher porque ainda não conseguiu contato com a defesa das suspeitas.

Bernardo ficou desaparecido por dez dias antes de seu corpo ser encontrado em um matagal no município de Frederico Westphalen (a 447 quilômetros de Porto Alegre). A família morava em Três Passos, cidade vizinha.

"Ele [Leandro] nega as acusações, todas. Ele não sabia de nada. Fomos objetivos [na conversa] para saber o que fazer daqui para frente", disse o advogado.

Ele contou ainda que o pai do garoto está "visivelmente abalado", mas está "encorajado a se defender". Segundo o advogado, Leandro "não quer nenhuma vinculação" com a mulher presa e a amiga, mas não entrou em detalhes na conversa sobre as suspeitas levantadas pela polícia contra elas.

Rebelato disse também ter receio de que em breve a polícia reconsidere as suspeitas já levantadas contra o pai de Bernardo.

O advogado mora em Porto Alegre e disse que foi chamado para ajudar o primo por familiares. Ele obteve uma procuração e deve representar o suspeito até que um outro advogado seja contratado.

Ele não vai atuar na defesa das mulheres presas e ainda não teve acesso aos autos do inquérito sobre o crime.

A Polícia Civil ainda não concluiu a investigação sobre o caso. A delegada responsável, Caroline Machado, já disse não ter dúvidas do envolvimento dos três suspeitos na morte, mas afirmou que ainda falta esclarecer de que forma cada um participou.

Familiares e amigos pedem justiça no enterro

Um clima de comoção e revolta marcou o enterro de Bernardo, na manhã desta quarta-feira (16), no cemitério ecumênico em Santa Maria (RS). Entre parentes e amigos da família, cerca de cem pessoas acompanharam a cerimônia.

O corpo do garoto chegou ao local por volta das 10h e foi enterrado no jazigo da família da mãe de Bernardo, que morreu em 2010.

A maioria dos presentes no enterro chorava. Muitos comentaram uma mesma frase: "que horror tudo isso". Bastante emocionada, a madrinha do menino Clarissa Oliveira foi a última a deixar o jazigo.

Chorando muito, ela não quis falar com a imprensa no começo do enterro. Disse durante a cerimônia como se estivesse falando para Bernardo: "desculpa não ter feito mais do que eu podia". Logo após dizer essa frase, ela foi abraçada por alguns amigos e parentes.

Ao final, ela disse à reportagem: "O Bernardo era muito amado por nós. A gente tentava suprir o que ele não tinha lá [em casa]".

A revolta ficou por conta da avó materna de Bernardo, Jussara Uglione, e por outros parentes. Em entrevista coletiva, ela disse que a morte do garoto "não pode ficar impune". "Justiça, não me deixe desamparada."

No jazigo muitas flores e uma faixa: "Nosso anjo Bernardo, descanse em paz!".

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