O primeiro dia de greve da Polícia Militar da Bahia provocou ontem um dia de caos em Salvador, com saques, arrastões e atividades de escolas e do transporte afetadas.
Os PMs anunciaram a greve na noite de anteontem, a menos de dois meses da abertura da Copa - Salvador é uma das principais sedes do evento e terá seis jogos.
O governo Jaques Wagner (PT) apontou motivação política e pediu reforço de tropas federais, que começaram a chegar ontem - 2.500 homens do Exército e 250 da Força Nacional serão deslocados.
Um dos principais motivos da paralisação - a segunda desde 2012 - é o novo código de ética que o governo propôs.
Em fase de preparo, o documento enquadra o PM em infração disciplinar caso ele, por exemplo, seja incluído em cadastros de devedores ou dê entrevistas à imprensa.
Sem policiais nas ruas, os crimes avançaram ainda na madrugada. Houve saques a supermercados, redes de eletrodomésticos e a pequenas lojas no centro e na periferia.
A situação se agravou porque a Polícia Civil fez paralisação de 24 horas, agendada previamente, e a Guarda Municipal quase não foi às ruas alegando “questão de segurança”, segundo o sindicato.
Pela manhã, o impacto da greve já era visível no centro de Salvador. Muitos comerciantes não abriram e shoppings funcionavam com segurança reforçada.
O escasso policiamento nas ruas era feito por policiais de batalhões especiais, como o de choque.
Grande parte dos ônibus não circulou, e passageiros se acumularam nos pontos.
Escolas e faculdades liberaram alunos. Um jogo do Vitória e o espetáculo da Paixão de Cristo foram cancelados.